quinta-feira, 28 de julho de 2011

Efeito contrário


Política pública baseada na raça estimula diferença

Estudo recente publicado pelo IBGE objetiva passar a imagem de que, apesar de a cor influenciar bastante a vida dos cidadãos brasileiros, a maioria não tem dificuldade em reconhecer a própria raça. Em um momento em que todos se chocam com a notícia de que já existem diversos Tribunais Raciais em funcionamento no Brasil, esta notícia não é obra do acaso. Objetiva-se minimizar as dificuldades existentes no Brasil sobre a identificação da raça.
Sobre a impossibilidade de determinar quem é negro no Brasil, destaco relevante estudo conduzido por Sérgio Pena, da UFMG, denominado Retrato Molecular do Brasil. Na ocasião, chegou-se à conclusão de que, além dos indivíduos autodeclarados pretos e pardos, existem no Brasil mais 30% de afrodescendentes, dentre aqueles que se declararam brancos, por conterem no DNA a ancestralidade africana, principalmente a materna, devido à intensa miscigenação e independentemente do fenótipo apresentado. O trabalho realizado por Pena questiona as estatísticas sobre a composição étnica do País. Para ele, os números seriam imprecisos pois muitos dos que se declararam brancos migrariam para a categoria de mestiços, se o DNA fosse decodificado.
Sobre a possibilidade de se determinar cientificamente um grau mínimo de africanidade para cada brasileiro, a ponto de legitimar os descendentes de africanos a serem beneficiados por políticas afirmativas, a explicação de Pena é deveras precisa, e, por isso, merece a transcrição: “a ancestralidade, após os avanços do Projeto Genoma Humano, pode ser quantificada objetivamente. Implementamos em nosso laboratório exames de marcadores de DNA que permitem calcular um Índice de Ancestralidade Africana, ou seja, estimar, para cada genoma humano, qual proporção se originou na África. Recentemente publicamos (...) um estudo demonstrando que no Brasil, em nível individual, a cor de um indivíduo tem muito baixa correlação com o Índice de Ancestralidade Africana. Isso quer dizer que, em nosso país, a classificação morfológica como branco, preto ou pardo significa pouco em termos genômicos e geográficos, embora a aparência física seja muito valorizada socialmente. A interpretação dos achados de nossa pesquisa é que a população brasileira atingiu um nível muito elevado de mistura gênica. A esmagadora maioria dos brasileiros tem algum grau de ancestralidade genômica africana. Poderia a nossa nova capacidade de quantificar objetivamente, através de estudos genômicos, o grau de ancestralidade africana para cada indivíduo fornecer um critério científico para avaliar a afrodescendência? A minha resposta é um enfático não. Tentar usar testes genômicos de DNA para tal, seria impor critérios qualitativos a uma variável que é essencialmente quantitativa e contínua. A definição sobre quem é negro ou afro-descendente no Brasil terá forçosamente de ser resolvida na arena política. Do ponto de vista biológico, a pergunta nem faz sentido”.
Confirma-se assim a tese de Gilberto Freyre de que a população brasileira é uma mistura do europeu, do índio e do africano. Dessa forma, a intensa miscigenação brasileira termina por eliminar a eficácia de programas afirmativos nos quais a raça funcione como critério exclusivo de integração, porque não há como determinar quem, efetivamente, é negro no Brasil.
Retroceder à utilização de critérios objetivos (exame de sangue) para determinar o grau de ancestralidade, por outro lado, parece-nos totalmente fora de consideração. A política afirmativa que vier a ser adotada no Brasil tem de vencer o desafio da legitimidade e ser adequada, exigível (não haver um meio menos ofensivo aos direitos fundamentais) e ter bônus maior do que o ônus em relação à implementação da medida (princípio da proporcionalidade em sentido estrito).
Para se tentar flexibilizar esse debate praticamente insolúvel — saber quem é negro no Brasil —, ao mesmo tempo em que também se procura combater outra barreira, talvez a principal a impedir a ascensão do negro, faz-se necessário um novo modelo de ações afirmativas, baseado em critérios próprios para a realidade brasileira. Propõe-se, assim, a conjugação de dois fatores: escola pública e renda mínima, visando a garantir maior legitimidade ao debate, a menor possibilidade de utilização da má-fé, à diminuição da possibilidade de discriminação reversa e, finalmente, ao melhor atendimento aos princípios da igualdade e da proporcionalidade, integrando maciçamente os negros, pois estes são 70% dos pobres do Brasil, sem correr o risco da racialização do país.
Roberta Fragoso Menezes Kaufmann é procuradora do Distrito Federal, professora de Direito Constitucional e Direito Administrativo na Escola da Magistratura do DF e no Instituto de Direito Público. É autora do livro Ações Afirmativas à Brasileira: necessidade ou mito? Uma análise histórico-jurídico-comparativa do negro nos Estados Unidos da América e no Brasil, lançado pela Livraria dos Advogados.
 Fonte:Revista Consultor Jurídico, 28 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Kanga

Kikulacho kimo maungoni mwako: Kanga, da tradição à contemporaneidade
Sofia Vilarinho

http://www.buala.org/pt/a-ler/kikulacho-kimo-maungoni-mwako-kanga-da-tradicao-a-contemporaneidade

Capulana no sul de Moçambique, Kanga no Quénia e Zanzibar, pagne no Congo e Senegal, lappa na Nigéria, leso em Mombaça. Um pano rectangular geralmente de 150 cm por 110 cm, estampado industrialmente em toda a sua superfície e que se diferencia de país para país pelos motivos africanos de cores contrastantes, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos e figurativos variáveis que ilustram a cultura, a tradição, a contemporaneidade, os rituais, as ideias, a emoção, o silêncio, a revolta, a luta, a paixão. As Kangas são a "voz do silêncio feminino" (Beck, 2005).

A Kanga coexiste, no mesmo espaço e tempo, com a mulher do Leste Africano, é um símbolo tão gritante como o do poeta Malangatana "quem é que rasgou a capulana encarnada do templo negro?(...)" [1]
Graficamente, uma Kanga é definida por três partes: a margem (em swahili: Pindo), o motivo central(swahili: mji) e o provérbio inscrito (swahili: ujumbe ou jina).[2] Os provérbios são, em si, estratégias extraídas da experiência que propiciam, por um lado, o conhecimento sobre a acção e, por outro, a inspiração ou a motivação para a acção.
Geralmente a Kanga é utilizada como vestuário tradicional ou para modelar um look mais europeu, mas também pode ser utilizada para outros fins: nos rituais de passagem (interessante o uso da Kanga no ritual de circuncisão masculina); nos funerais para cobrir o defunto (ntehe é o nome desta capulana especial); para carregar bebés; para filtrar a água ou como saco para a merenda; para felicitar o noivado (capulana Kisutu), o casamento ou o nascimento; para esperar o marido (geralmente esta é de cor amarela e verde ou xadrez pouco garrido no sul de Moçambique); pelos curandeiros nas suas práticas (de cores branco, vermelho e preto, é só usada pelos curandeiros).

Estes têxteis têm um papel muito importante na comunicação mas também na definição do status e do poder, pois quanto maior for a riqueza de uma mulher mais kangas elas guardam nas arcas.
Compradas ou herdadas, as kangas fazem parte das rotas comerciais e são uma das moedas de negociação desde o século XIX. Figuras importantes no comércio dos panos em África são as Nana Benz, as mulheres com uma forte autonomia económica que, desde os anos 60, introduziram novos desenhos no mercado, sendo  um porta-voz de tendências que emergem das e nas ruas, resultantes de acontecimentos políticos, e sociais, de provérbios, de histórias de vida, de inovações tecnológicas, de marcas europeias dominantes.

ver documentário aqui

Reza a história que os primeiros estampados tinham uma margem e um padrão de bolinhas sobre um fundo escuro e que os compradores rapidamente começaram a chamar a esta roupa de Kanga, em lebrança de um pássaro preto e branco da Guiné, com plumas sarapintadas. De acordo com registos, diz-se que esta evolução foi da autoria de um comerciante de Mombaça Kaderdina Hajee Essak, também conhecido por Abdulla. O design de suas Kangas era formalmente distinto pela marca "K.H.E- mali ya abdulla"[2] e incluía sempre um provérbio, aforismo ou slogan, inicialmente em letras árabes e depois em letras romanas. Narra também a história que a Kanga surge do cruzamento das rotas comerciais entre Portugal (desde 1499 os portugueses estabelecem aqui uma missão católica e um porto de negociações marítimas) e a Índia - na zona de Mombaça e Zanzibar - e da costumização dos lenços portugueses pelas mulheres swahili (a partir  de 1900), quando costuraram os lenços de forma a obter um rectângulo capaz de contornar o corpo (3 por 2). O mercado dos panos era também controlado pelos indianos, que prontamente responderam às tendências da moda e começaram a produzir um único pano inspirado no sari e no lenço português, mas que apelava ao gosto estético africano.

Comparação lenço português, Inidian, e Kanga

Num estudo mais aprofundado e indagando sobre estes registos, conclui-se que a criação da kanga está ligada a três factores preponderantes:
Às mulheres Manyema nas rotas de escravos e marfim da África Central para a costa Swahili (Africa Austral). Segundo a autora McCurdy, Manyemaeram mulheres poderosas, waungwana (livres), autónomas (também sexualmente - ver Encyclopedia of prostitution and sex work, pp. 83) e com habilidade para trabalhos manuais. Certas fontes revelam que estas mulheres ocupavam parte do seu tempo de viagem, do Congo para Zanzibar, a criar novos grafismos têxteis através da união de vários padrões que davam origem a outros de uma riqueza estilística única e, por isso, uma fonte de inspiração pela sua exuberância e originalidade.
A autora argumenta ainda que - e de acordo com registos locais - as mulheres swahili vestiam somente Kanini (pano de algodão cor azul escuro - indigo) ou pano branco antes da chegada das mulheres Manyema a Zanzibar. De notar que este facto vai justificar o que atrás foi referido sobre a apropriação dos lenços portugueses pelas mulheres de Zanzibar e a tendência para o processo de imitação -tão característico no mundo da Moda - e que desde sempre contagiou o encontro dos povos resultando num hibridismo de estilos. A Kanga torna-se um fashionable item.
A abolição do tráfico de escravos (em 1878, foi definitivamente abolido em todo o império português), permitiu que o algodão, anteriormente primazia de reis e chefes de tribos, passasse, a partir de meados do seculo XIX, a ser adquirido pelas pessoas comuns, o que prenuncia o novo estatuto social e, com ele, outras noções de liberdade, do corpo e sua propriedade.[1] A apropriação dos panos e a utilização dos estampados é o símbolo gritante dessa mesma liberdade. Contudo, a libertação dos escravos leva ao aumento do movimento de missionários, tanto cristãos como islâmicos, que induzem um outro olhar sobre o corpo, apelando à modéstia.

O terceiro  factor que induz o aparecimento da kanga relaciona-se com a Revolução Industrial (1760) e a fervorosa abertura dos mercados na segunda metade do século XIX (Europa, Índia e Arábia). A época Victoriana é caracterizada pela hegemonia mundial britânica e a expansão colonialista. A produção textil artesanal conduzida pelos indianos e árabes passa, após a revolução industrial, a ser dominada em regime industrializado, pelos europeus. Deste domínio destacam-se duas fortes economias, a Inglaterra e a Holanda, que comandaram, desde meados do século XIX, a indústria de produção de wax print textiles [1] na região Oeste Africana.

E a Kanga de hoje?

Da tradição à contemporaneidade, a Kanga foi e continua a ser, um objecto que acompanha o ritmo da transculturalidade que influencia  a dinâmica presença - ausência da mulher africana.
O design dos padrões evoluiu e espelha os grafismos da modernidade, da evolução tecnológica e da hegemonia ocidentalizada. Num processo contante de (re)negociação de identidades e homogeneização - tão caracteristico da era global - o uso tradicional da Kanga passa a ser substituído pela roupa importada e oriunda da caridade europeia e /ou americana para o continente africano ou pela apropriação de um pano modelado em forma de camisa, vestido, saia. Se, por um lado, o mercado de segunda-mão, concebe livre arbítrio ao consumidor, permitindo-lhe adquirir exclusivos e originar - e não imitar - o Look - peça-única, por outro,  assiste-se  um processo de homogeneização e poder da indústria da Moda Europeia, cujo o ex-líbris culmina no well-dresssed e num novo sigificado de ser "cosmopolita."[2]

As fronteiras da autenticidade e da tradição diluem-se e dão lugar à fabricação de culturas e objectos  híbridos. Assiste-se a um puzzling cultural que posiciona a kanga contemporânea nessa fronteira, entre o hit do design de motivos de coca-cola ou dos telemóveis Nokia, as inscrições em inglês tão apelativas aos turistas da costa swahili e o modelling contemporâneo apresentado na passerelle de Nova Iorque - Verão de 2011.
Os africanismos fashionable são o retrato do carácter nómada inerente ao objecto.

[1] Wax prints textile: técnica de estampagem textil originária da Indonésia e que consiste na aplicação de cera de forma a "resistir" o tinto nas zonas onde esta é aplicada. Esta cera é desenhada no tecido de acordo com o projecto/desenho a ser elaborado. Duas grandes empresas de produção destes estampaos são a Vlisco (Holanda)  e a. O estampado feito pela industrias holandesas (Dutch wax print) foi pioneiro na aplicação de resina que permitia obter o estampado no direito e avesso do tecido e teve um grande sucesso na região do Ghana (Gold Coast), ao contrário do que se previa na Indonésia (1º mercado alvo dos holandeses).
[2] O apogeu desta dominação é o fenómeno dos Sapeurs do Congo.
[1] Com a abolição da escravatura e a libertação dos escravos dá-se também uma intensa campanha religiosa, por um lado o cristiansmo por outro o islamismo. Missionarios, militares e oficiais do governo tornam-se os novos agentes/actores na introdução de outros  conceitos de exibição do corpo e das partes dele que apela à modestia. De notar que os estampados nas kangas traduzem a inluência islâmica  e muitas das frases são a enunciação da opressão feminina imposta pelas leis do corão.
[2] íbidem
[1] Torcado, Maria de Lourdes (2004), Capulanas & Lenços à Moda de Moçambique, Ed.Missanga,Maputo, pág.6
[2] A maioria das capulanas em Moçambique não apresentam mensagem. Não querendo menosprezar o interesse pela capulana (que aliás é o objecto de estudo da minha investigação de doutoramento em curso) encontro na kanga, típica em Zanzibar, Mombaça e  Quénia, uma maior fieldade e riqueza histórica quanto à preservação das tradições.


 Fonte.http://www.casadasafricas.org.br/

O Negro na Telenovela Brasileira

 O Negro na Telenovela Brasileira
A Negação do Brasil - O Negro na telenovela brasileira documentário de Joel Zito autor do livro de mesmo nome.Duração de 1 ;30 minutos feito pelo ministério da cultura. Vale a pena assistir no link abaixo!
 
http://youtu.be/Z9B9ryJP4t0

domingo, 22 de maio de 2011

Cultura afro e indígena no ensino público são temas de debate com o governo

Cultura afro e indígena no ensino público são temas de debate com o governo

Plenária discutiu as formas para a implantação da Lei 11.645/08, na rede de ensino do Amapá. A medida foi sancionada pela legislação nacional em 2010.
O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, participou, nesta quarta-feira, 18, no Centro de Convenções João Batista Azevedo Picanço, de uma Audiência Pública que debateu a implantação da História e Cultura Afrodescentente e Indígena na rede de ensino do Estado, de acordo com a determinação da Lei 11.645/08, de 2010. A plenária foi proposta pela deputada estadual Cristina Almeida (PSB). Cerca de 300 pessoas compareceram à plenária.
Durante o evento, que contou com a presença do vereador Washington Picanço, representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Secretaria Extraordinária de Políticas para Afrodescendente (Seafro), Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), Secretaria e associações ligadas ao movimento negro do Amapá.
Segundo o governador, a inclusão da História e Cultura Afrodescentente e Indígena no ensino público é uma mudança positiva. Camilo Capiberibe afirmou que somente um pequeno capítulo da contribuição dos dois povos para a constituição do Brasil foi contado.
“Sempre apoiei a integração da cultura indígena e afrodescendente ao ensino público, desde a época que eu fui deputado estadual. É muito importante reconhecer e valorizar a diversidade da cultura brasileira, da qual também fazem parte da história indígena e negra”, disse o governador.
Regularização de terras
De acordo com o governador, outra direito da população negra do Amapá é a legalização de suas terras. Camilo Capiberibe disse que irá regularizar 22 glebas que o governo federal passou para o Estado e contratar antropólogos para a legalização das áreas quilombolas.
“É meu dever como governador fazer o que não foi feito antes. Assumo o compromisso com os povos quilombolas, eles terão a legalização de suas áreas, pois contrataremos antropólogos para tal, já que o laudo técnico é que impede a titulação dessas áreas”, pontuou o governador.
A Lei
A Lei 11.645/08, de 2008, que inclui o ensino de História e Cultura Indígena, substituiu a Lei 10.639/03, de 2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio. Com a segunda resolução, as duas culturas serão obrigatórias no ensino brasileiro.
“Meu compromisso é apoiar a Seed no que for preciso para a inclusão das duas culturas no currículo escolar. Quero que digam, daqui há três ou quatro anos, que um pequeno Estado da Amazônia foi um dos primeiros a implantar a História e Cultura Afrodescendente e Indígena em seu ensino”, enfatizou Camilo Capiberibe.
Elton Tavares
Assessor de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social

Fonte : http://www.correaneto.com.br/site/?p=8278

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aprovada criação do Ano Estadual das Populações Afrodescendentes

Redação SRZD | Rio+ | 30/04/2011 16h18
A Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou esta semana o projeto de lei nº 44/2011, de autoria dos deputados Sabino e Gilberto Palmares, que institui o ano de 2011 como o Ano Estadual das Populações Afrodescendentes e das Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A poucas semanas do dia em que se comemora a abolição da escravatura, o projeto tem objetivo de fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação e promover maior consciência e respeito à diversidade e à cultura.

Em dezembro de 2010, a Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) declarou oficialmente, que 2011 seria o Ano Internacional das Populações Afrodescendentes, pois segundo o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, os afrodescendentes estão entre as pessoas mais afetadas pelo racismo. No Brasil, a ideia do Ano Estadual das Populações Afrodescendentes é buscar medidas nacionais e a cooperação regional e internacional em benefício da população afrodescendente, visando alcançar a participação e integração em todos os aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais da sociedade.

O projeto discutirá alguns pontos como o acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS) para promoção, proteção e recuperação da saúde dessa parcela da população; os direitos fundamentais das mulheres negras; o reconhecimento ao direito à liberdade de consciência e de crença dos afro-brasileiros e da dignidade dos cultos e religiões de matriz africana praticadas no Estado do Rio de Janeiro; o sistema de cotas que buscará corrigir as inaceitáveis desigualdades raciais que marcam a realidade brasileira, entre outros.

O Poder Executivo, por meio dos órgãos competentes, coordenará a programação dos eventos institucionais comemorativos, podendo criar parcerias com entidades e instituições públicas ou privadas, visando o apoio e à promoção de atividades alusivas ao importante fato cultural e histórico.




fonte;   
http://www.sidneyrezende.com/noticia/129786

sábado, 14 de maio de 2011

O 13 de Maio

Bembé de Santo Amaro comemora 120 anos de resistência



No dia 13 de maio, a cidade de Santo Amaro comemora os 120 anos do Bembé. São 120 anos do começo de uma luta que permanece até hoje. A luta pela liberdade do povo negro escravizado que continua com a luta pela inclusão social.
Um dia após a assinatura da Lei Áurea (13 de maio de 1888) os senhores de engenho de Santo Amaro, inconformados com o fim do regime escravagista, pressionaram as suas lideranças parlamentares para que a lei fosse revogada e com ajuda do aparelho policial da cidade tentaram manter o sistema de trabalho escravo na cidade. Porém os negros libertos - conhecidos pejorativamente como os treze de maio - e alguns simpatizantes da causa, continuaram o movimento social para libertação daqueles que ainda permaneciam encarcerados. Assim, um ano depois, os negros decidiram comemorar na praça do mercado o aniversário da abolição, sem agradecimentos a princesa Isabel ou parada cívica, mas com muita festa e manifestações do candomblé saudando os Orixás, assim nasceu o Bembé (uma contração da palavra Candomblé). Durante os festejos são colocados diversos presentes para Iemanjá que logo após a festa são levados em oferenda a rainha do mar.
Muito mais que uma festejo anual, a comemoração do 13 de maio simboliza uma luta histórica do negro em defesa da liberdade física e religiosa, reafirmando a necessidade de reparação social para um povo excluído da sociedade por muitos anos e que nos dias atuais continuam travando batalhas contra o pior dos inimigo: o preconceito racial velado que permeia todo o corpo social do nosso país.


 Fonte http://nasondasdepaulo.blogspot.com/feeds/posts/default?orderby=updated
Veja as fotos sobre a festa do Bembé no link 

http://www.flickr.com/photos/denisse_salazar/4614978603/in/set-72157624079192062/

terça-feira, 19 de abril de 2011

Cores da integração

Cores da integração

Ano Internacional do Afrodescendente é oportunidade para reflexão sobre avanços e desafios no Brasil. CUT adotou o tema para o 1º de Maio
Por: Redação
Publicado em 12/04/2011
Cores da integração
(Foto:Marcello Casal Junior/Agência Brasil)
Cinco meses antes do término de seu mandato, durante o primeiro encontro de cúpula do Brasil com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), em Cabo Verde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seu sucessor, fosse quem fosse, estaria “moralmente, politicamente e eticamente” comprometido a “fazer mais” pela relação Brasil-África. Essa preocupação se reforça com o estabelecimento de 2011, pelas Nações Unidas, como Ano Internacional do Afrodescendente.
O presidente estadual da CUT de São Paulo, Adi dos Santos Lima, lembra que o país concentra mais de 90 milhões de afrodescendentes. “No entanto, essa consciência ainda não está presente na totalidade de nossa população. Além disso, os países africanos, que estão na raiz de nossa origem, são pouco conhecidos em sua dimensão histórica, institucional, econômica, social e cultural”, afirma.
A central escolheu justamente como tema as relações entre Brasil e África para celebrar o 1º de Maio deste ano. Estarão representados trabalhadores de 12 países daquele continente: África do Sul, Angola, Benin, Cabo Verde, Gana, Guiné-Bissau, Moçambique, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Togo e Zimbábue. “A proposta é ir além da tradicional confraternização entre os trabalhadores, o que, evidentemente, é importante. Mas queremos dar um primeiro passo para refletir sobre nossa condição de país afrodescendente e aprofundar nossos intercâmbios internacionais a partir de nossas lutas e conquistas”, diz Adi. No ano passado, o tema do 1º de Maio cutista foi a integração com a América Latina.
A avaliação geral é de que o país vem avançando na superação das desigualdades, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. Os afrodescendentes brasileiros figuram entre as principais vítimas da violência, por exemplo. De acordo com o Mapa da Violência elaborado pelo Instituto Sangari, em parceria com o Ministério da Justiça, de cada três pessoas assassinadas, duas são negras. É também esse grupo social que lidera estatísticas de analfabetismo e desemprego, confirmando a situação de descaso à qual sempre foi relegado.
Entre os avanços, dois destaques foram a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, sancionado em 2010. Este foi um dos resultados de compromissos assumidos na Conferência Mundial sobre Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001.
Em mensagem pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial (21 de março), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou os dez anos da conferência de Durban. “O Ano Internacional oferece a oportunidade de avançar nesse combate e de reconhecer as amplas contribuições que os afrodescendentes deram ao desenvolvimento político, econômico, social e cultural de todas as nossas sociedades. Para derrotar o racismo, temos de acabar com as políticas públicas e as atitudes privadas que o perpetuam.”
Para os movimentos sociais, é preciso fortalecer as políticas públicas de igualdade racial e ações afirmativas. “Os países africanos têm sede de conhecimento sobre o Brasil e veem com muito interesse o estreitamento de relações em vários campos de atividade”, diz o presidente nacional da CUT, Artur Henrique. O dirigente recorda que, em nosso território, existem hoje 31 embaixadas africanas e, no continente africano, 19 embaixadas brasileiras. “Muitos países do continente que enfrentaram situações de conflitos em passado recente as superaram, a exemplo do apartheid na África do Sul e guerras coloniais, e hoje aspiram ao desenvolvimento e a uma política voltada para o bem-estar das populações, passando pela organização dos trabalhadores e trabalhadoras”, diz Artur.
“É importante lembrar que a história das relações entre o Brasil e a África, embora tenha sido marcada em seu início pela diáspora e pelo tráfico de escravos, tem uma ancestralidade que ainda pouco conhecemos e é referenciada hoje por relações dinâmicas, principalmente econômicas e culturais, que queremos estreitar, em especial com os trabalhadores desses países”, reforça Adi.
Do ponto de vista econômico, o Brasil passou a priorizar a África em suas relações comerciais. Exemplo disso é o crescimento das transações: em 2000, a corrente de comércio (exportações mais importações) somou pouco mais de US$ 4,2 bilhões; em 2010, foi de quase US$ 20,6 bilhões.

Nacionalidade

Há estimativas de que, apenas no século 18, o número de escravos enviados ao Brasil chegou a 6 milhões. Mão de obra que foi usada em plantações de cana e, posteriormente, minas de ouro, diamantes e – já no século 19 – plantações de café.
O professor Eduardo de Oliveira, presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), observa a necessidade de compreender essa contribuição dos africanos na formação do país. “Na minha visão de político, professor e poeta, o fato de que o negro foi o primeiro trabalhador formal do país e o de ter vindo como escravo não invalidam a contribuição concreta que ele deu à formação de nossa nacionalidade”, afirma o professor e autor do Hino da Negritude, hoje adotado em mais de mil municípios brasileiros.
Oliveira ressalta que aqueles que são solidários com os valores humanos estão de acordo que, desde os primeiros anos de nação, o Brasil tem uma grande dívida com os negros da diáspora africana, e esse fato está hoje cristalizado no reconhecimento que o Estado vem adotando nos últimos anos, a partir da presença de um trabalhador (Lula) no governo do país. “Basta isso, para que neste 1º de Maio se reconheça e contemple o povo afro-brasileiro de modo a torná-lo autossuficiente em ações de políticas públicas e se contribua para nele despertar a autoestima por sua inteligência e seu vigor cultural”, acrescenta.
Na opinião do presidente da Fundação Palmares, Elói Ferreira de Araújo, a cultura no Brasil não teria a mesma pujança e riqueza não fosse a contribuição dos negros africanos trazidos para cá. “Busca-se criar semelhança com a diáspora de outros povos. Mas a vinda dos negros para o Brasil foi um processo de escravização, eles foram responsáveis pela produção das riquezas do Estado brasileiro durante quase 400 anos. Ao mesmo tempo, não houve um processo de inclusão para que tivessem acesso aos bens econômicos e culturais produzidos por eles próprios”, observa. “Mas estamos em um momento extraordinário no Brasil, em que há um grande aquecimento e interesse do governo em construir ações de natureza afirmativa que levem em consideração reparar quatro séculos de escravidão.”
Um exemplo de política afirmativa está na Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatória a disciplina História e Cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. A lei determinou ainda a inclusão no calendário escolar do 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Há também o Programa Brasil Quilombola, de apoio às comunidades.
A cantora e compositora Leci Brandão, deputada estadual em São Paulo (PCdoB), vê ainda muita discriminação no país. “No Carnaval, assistimos às meninas da comunidade substituídas por rainhas de bateria brancas que frequentam a mídia. Na televisão, não tem mulher negra como apresentadora, mas serve de ajudante. Nesses programas de culinária, carregam a bandeja da apresentadora e mexem nas panelas”, afirma. 
A própria Leci ressalta que, apesar de uma carreira de 36 anos, não tem espaço nos cadernos de cultura. Mesmo observando que desenvolve lutas que não se restringem ao afrodescendente, ela lamenta: “Enquanto o descendente de italiano, francês, português ou espanhol sabe de que país vieram seus antepassados, nós, não. Sabemos que viemos do continente africano, mas não de qual país, porque fomos espalhados pelo mundo com a diáspora”.
Ela avalia que houve avanços tímidos no país. “No Congresso e nos governos temos poucos negros. Podemos destacar a deputada e ex-governadora do Rio Benedita da Silva, Matilde Ribeiro, ex-ministra da Seppir­, e, na mídia, o ator Lázaro Ramos. Mas os negros estão sempre sendo postos de lado. Apesar disso, nossa cultura de resistência persiste e, felizmente, estamos presentes em grande parte dos movimentos culturais deste país.”  




fonte http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/58/cores-da-integracao

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Martin Luther King

Martin Luther King, um ícone da luta por igualdade e paz

quinta-feira, by Karina Gama
Foto: Arquivo / FCP
Os ideais de Martin Luther King mobilizaram multidões
Por Karina Miranda da Gama
Martin Luther King Jr. foi um grande líder pacifista. Lutou incessantemente pelos princípios de liberdade e igualdade, e pelos direitos civis na América. Pelo combate pacífico contra o preconceito racial, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Mas a trajetória de um dos mais importantes e respeitados líderes políticos negros foi breve. Luther King foi assassinado no dia 4 de abril de 1968, aos 39 anos, por um branco segregacionista.  
A luta de Luther King pelos direitos civis nos Estados Unidos teve início no episódio conhecido como Milagre de Montgomery, em 1955. Então presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, liderou, junto com os demais membros da comunidade, um boicote às empresas de ônibus da cidade, após um ato discriminatório a uma passageira negra.  
MOVIMENTO – A passageira, Rosa Parks, que se recusou a ceder o lugar para um branco, foi presa por desacato às leis segregacionistas. O episódio colocou a questão racial em debate nacional e gerou um movimento, que durou um ano, para pressionar o Estado a abolir este tipo de segregação. A reivindicação foi acatada pela Suprema Corte Americana, que determinou o fim da discriminação nos transportes públicos.  
King liderou uma série de protestos em diversas cidades norte-americanas contra a segregação racial em espaços públicos e pelos direitos civis do negro. Em 1960, os negros conquistaram o direito de acesso a bibliotecas, parques e lanchonetes. Na década de 60, a questão racial era apenas uma parte da luta de classes nos EUA, além das greves e da luta dos trabalhadores, e da participação dos EUA em golpes e conflitos militares no mundo inteiro.  
MARCHA Em 1963, o ativista político liderou a Marcha para Washington, um movimento de luta pelo fim da segregação racial. O manifesto em prol dos Direitos Civis de todos os cidadãos americanos contou com a participação de mais de 200 mil pessoas. Na ocasião, Luther King proferiu o célebre discurso Eu tenho um sonho, que clamava por uma sociedade de liberdade e igualdade.  
Aos 35 anos, Luther King foi contemplado com o Nobel da Paz, sendo o mais jovem ganhador deste importante Prêmio. A não-violência foi a forma utilizada para articular sua luta, realizada por meio de uma resistência firme, mas pacífica. No entanto, o líder político foi preso por diversas vezes, duramente criticado e sofreu ameaças por seus posicionamentos.  
A batalha de Luther King pelos direitos civis dos negros teve continuidade com a aprovação da Lei dos Direitos Civis, assinada em 1964, que garantia a igualdade de direitos. No ano seguinte, mais uma importante conquista aconteceria: a aprovação da Lei dos Direitos de Voto para os negros. Luther King também lutou em favor de oportunidades de emprego para os pobres no país e, em 1967, uniu-se ao Movimento pela paz na Guerra do Vietnã.  
ASSASSINATO – Martin Luther King foi assassinado no dia 4 de abril de 1968, aos 39 anos, em Menphis. Todavia, sua luta significou um marco histórico na defesa pelos direitos civis de toda a humanidade e pela paz. Seu legado influenciou o fim do Apartheid na África do Sul e permitiu que o mundo assistisse, na primeira década do século XXI, a ascensão do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, Barack Obama.  

Temos um sonho e a luta continua!

Manifestações de racismo são constantes na sociedade brasileira e mundial, e ainda assistimos a crimes bárbaros motivados pela questão racial. Os níveis de vitimização de jovens negros são alarmantes, conforme consta no Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil, publicação do Ministério da Justiça e do Instituto Sangari, recentemente lançada (disponível em: www.mapadaviolencia.org.br).  
De acordo com a análise, em todos os dados apresentados, a população negra ocupa os primeiros lugares entre as vítimas por mortes violentas, principalmente os homens negros. “Esta situação está presente em todas as regiões brasileiras, com raras exceções em alguns Estados, e visibiliza um nítido componente racial no perfil de incidência dessas mortes” (trecho do relatório).  
FUNDAÇÃO PALMARES – Neste governo, o cerne da luta contra o racismo é fomentar ações de enfrentamento às violências motivadas pela discriminação, contribuindo para a promoção do direito da população negra à vida. E construir políticas de ações afirmativas para a valorização da cultura negra é o desafio da Fundação Cultural Palmares (FCP), ora sob a presidência de Eloi Ferreira de Araujo.  
Com ferramentas como o Estatuto da Igualdade Racial e a disposição de avançar na transversalidade da cultura com os demais órgãos governamentais e segmentos sociais, os gestores da Palmares desejam promover a identidade dos negros e das negras no Brasil e no mundo. No Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, Luther King inspira o combate à discriminação.  
Violência racial é violação de direitos humanos. Portanto, a luta pela igualdade e pela liberdade não pode parar! 

Luther King, um perfil

Martin Luther King nasceu numa família de negros norte-americanos, em 15 de janeiro de 1929, na parte mais radical do segregacionismo – o sul dos Estados Unidos, em Atlanta. Filho e neto de pastores, cresceu num ambiente de fortes convicções políticas e religiosas, tornando-se pastor batista aos dezenove anos. Formou-se em teologia pelo Seminário Teológico Crozer e, em 1955, concluiu o doutorado em filosofia pela Universidade de Boston. Defendeu a luta pela paz e se dedicou à filosofia do protesto não violento, inspirado nas idéias do líder indiano Mahatma Gandhi. 


fonte http://www.palmares.gov.br/?p=9934

Caso Bolsonaro

Palmares encaminha denúncia de racismo à Procuradoria-Geral da República

sexta-feira, by Suzana Varjão
Foto: Suzana VarjãoFoto: Suzana Varjão
Eloi Ferreira de Araujo, acompanhado por Dora Bertulio, protocolando o documento

Da Assessoria de Comunicação  
O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira de Araujo, encaminhou hoje (01-04-11) ao Procurador-Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, o pedido de providências em relação às declarações de Jair Bolsonaro contra a população afro-brasileira, dadas na noite da última segunda-feira (28), a um programa humorístico.  
Eloi Ferreira de Araujo protocolou pessoalmente a denúncia na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília (DF), sendo acompanhado, no ato, pela Procuradora-Chefe da Procuradoria Federal na Fundação Cultural Palmares, Dora Lucia de Lima Bertulio. A decisão de encaminhar o documento à PGR foi tomada em função das prerrogativas do denunciado, que é Deputado Federal (PP-RJ).  
OS FATOS – Dentre outras ofensas, o parlamentar, respondendo a uma pergunta da cantora Preta Gil sobre o que faria se o filho se apaixonasse por uma negra, respondeu que não iria “discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”.     
Questionado, ainda, sobre cotas raciais, o político disse que “não entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista”. As palavras do deputado tiveram grande repercussão nas mídias sociais, provocando a reação de várias organizações de defesa dos direitos humanos e da população negra – entre elas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Fundação Cultural Palmares (FCP).  


 Fonte
             
http://www.palmares.gov.br/?p=10093

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ausência de negros chama a atenção na visita de Obama

Ausência de negros chama a atenção na visita de Obama

22/3/2011

da Afropress

S. Paulo – A quase total ausência de negros na agenda da visita do presidente americano Barack Obama, ao Brasil, no último fim de semana, continua repercutindo e causando estranheza. Até mesmo o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares e presidente da Afrobrás, José Vicente – de perfil considerado moderado e conciliador – não se conteve.

Segundo Vicente, a Obama não terá escapado “a ausência de um único oficial brasileiro negro para lhe prestar continência na sua chegada em Brasília e ao Rio”. Embora correspondam a apenas 13% da população americana, a presença negra é expressiva entre militares nos
EUA, inclusive nos que servem à Casa Branca.

“Obama certamente observou que também não havia, ao menos meia dúzia de jornalistas negros para entrevistá-lo”, acrescentou, na abertura do ano letivo dos cursos da Faculdade Zumbi dos Palmares, na noite de segunda-feira (21/03) no Memorial da América Latina, lembrando que o Brasil tem a maior população negra do mundo fora da África, com 95 milhões de afro-brasileiros, o equivalente a 51,3% da população.

Não é fácil…

Na mesa da solenidade, que teve como mestre de cerimônias a apresentadora do SBT, Joyce Ribeiro (foto), o governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-secretário de Justiça, Hédio Silva Jr., além de representantes de bancos como o City Bank, o Bradesco, e o HSBC, e empresas como o Carrefour e a Mercedes Benz do Brasil, que tem parcerias com a Palmares.

Ao declarar aberto o ano letivo, Vicente fez um histórico do Dia Interncional de Luta pela Eliminação da discriminação Racial, e lembrou o massacre de Sharpeville, na África do Sul, que motivou a ONU a criar a data em repúdio à violência racista do regime do apartheid.

O reitor da Unipalmares, que esteve no Theatro Municipal do Rio, para ouvir o presidente americano, lembrou que nos EUA, os negros receberam, após a abolição, acres de terra e uma mula, enquanto que no Brasil foram jogados na rua. “Não é fácil ser negro neste país, governador”, disse dirigindo-se a Alckmin e provocando a reação da platéia, que lotou a sala e o aplaudiu de pé.

Ausência

Além de Vicente, lideranças negras, que preferem manter seus nomes em sigilo, consideram que a visita de Obama ao Brasil – que o país, com maior população negra fora da África – acabou por evidenciar a força do mito da democracia racial, que para muitos havia se enfraquecido com o avanço da luta por igualdade no país.

Segundo essas lideranças, se não tivesse sido informado por sua assessoria sobre a realidade dos negros brasileiros, o presidente americano teria saído com a impressão do seu antecessor, George Bush.

Segundo a revista alemã, Der Spiegel”, Bush não sabia que havia negros no Brasil e, numa conversa com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, ocorrida em novembro de 2001, em Washington, teria perguntado ao colega brasileiro. “Vocês também possuem negros?”

Na ocasião, a então assessora para assuntos de segurança nacional de Bush, Condoleeza Rice e FHC teriam saído em seu socorro: “Senhor presidente, o Brasil provavelmente possui mais negros do que os EUA. Dizem que é o país com maior número de negros fora da África”, teria dito FHC.

Globais e celebridades

Mesmo no Theatro Municipal do Rio, onde foram reservados convites para 2 mil convidados, além de algumas celebridades como Gilberto Gil, Emanoel Araújo, e o ator global Lázaro Ramos e personalidades do mundo acadêmico, contava-se nos dedos, o número de negros que estiveram presentes nas atividades da agenda do presidente americano.

Essas mesmas lideranças também manifestam estranheza pela total ausência da ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, que em nenhum momento foi notada na agenda de Obama. A questão racial acabou sendo lembrada apenas no evento do Itamaraty, quando a presidente Dilma Rousseff propôs um brinde ao “sonho de Martin Luther King”.

A ministra da Igualdade Racial tampouco apareceu em uma foto sequer ao lado do presidente norte-americano, em contraposição às cenas de tietagem explícita do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e do governador Sérgio Cabral, ambos visivelmente deslumbrados com o visitante.

Paes constrangeu o presidente americano a tirar uma foto com um filho de seis anos, quando Obama desembarcava do Air Force One e se dirigia ao hall da Base Aérea do Galeão, no sábado.

Na despedida, na segunda-feira, também no Galeão, a mulher de Cabral pediu ao presidente americano para posar para fotos, quando Obama – junto com a mulher Michelle, as duas filhas, a sogra – já se dirigia à escada do avião para embarcar rumo ao Chile.

Fonte  http://www.viomundo.com.br/

terça-feira, 8 de março de 2011

Tudo bem simples, tudo natural..

Lendo um artigo  no Global Voices (http://pt.globalvoicesonline.org/2011/03/08/brasil-onde-a-violencia-tem-cor-e-idade/#comment-7381) que se intitula "Brasil onde a violência tem cor e idade " de Atílio Baroni Filho que trata sobre a falsa ideia de que no Brasil não existe racismo, comecei a pensar sobre este fato e cheguei a algumas questões, só pensamentos, questionamentos que expresso abaixo.

A naturalização do preconceito brasileiro pode e deve ser desconstruída assim como foi histórica e socialmente construída. O bom começo é desmistificar a ideia que o preconceito é algo inexistente no Brasil, os fatos comprovam que o preconceito existe, nas comunidades carentes, no Carnaval da Bahia ou no prédio de luxo. É algo que está nas mentalidades de forma entranhada e que foi plantada de cima pra baixo, porque cor e classe social no Brasil se cruzam comumente. A segregação por cor no Brasil faz parte da formação deste país e tem se mantido de forma hábil por uma elite criativa e aparentemente gente boa que morde a assopra para deixar a maioria na mais perfeita mansidão, ocultando as verdades e alegrando a massa com pão e circo.
 Tudo isso começou há muito tempo, há quinhentos anos, mas não é natural que continue assim, afinal o discurso das naturalidades fatais não é nosso.Ou é?  

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cine África: Ababacar Samb-Makharam - Jom

Cine África: Ababacar Samb-Makharam - Jom: "Senegal | Ababacar Samb-Makharam | 1982 | Drama | IMDB Wolof | Legenda: Português 73 min | XviD 720 x 448 | MPEG1/2 L3 115 kb/s | 29..."

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Reggae e biografias | Língua Estrangeira | Nova Escola

Reggae e biografias | Língua Estrangeira | Nova Escola

Desde 2003, a cultura africana faz parte do currículo. Descubra com seus alunos a riqueza das ciências, das tecnologias e da história dos povos desse continente

Paola Gentile 
Os diversos povos que habitavam o continente africano, muito antes da colonização feita pelos europeus, eram bambambãs em várias áreas: eles dominavam técnicas de agricultura, mineração, ourivesaria e metalurgia; usavam sistemas matemáticos elaboradíssimos para não bagunçar a contabilidade do comércio de mercadorias; e tinham conhecimentos de astronomia e de medicina que serviram de base para a ciência moderna. A biblioteca de Tumbuctu, em Mali, reunia mais de 20 mil livros, que ainda hoje deixariam encabulados muitos pesquisadores de beca que se dedicam aos estudos da cultura negra.
Infelizmente, a imagem que se tem da África e de seus descendentes não é relacionada com produção intelectual nem com tecnologia. Ela descamba para moleques famintos e famílias miseráveis, povos doentes e em guerra ou paisagens de safáris e mulheres de cangas coloridas. "Essas idéias distorcidas desqualificam a cultura negra e acentuam o preconceito, do qual 45% de nossa população é vítima", afirma Glória Moura, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB).

Negros são parte da nossa identidade
O pouco caso com a cultura africana se reflete na sala de aula. O segundo maior continente do planeta aparece em livros didáticos somente quando o tema é escravidão, deixando capenga a noção de diversidade de nosso povo e minimizando a importância dos afro-descendentes. Por isso, em 2003, entrou em vigor a Lei no 10.639, que tenta corrigir essa dívida, incluindo o ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas. "Uma norma não muda a realidade de imediato, mas pode ser um impulso para introduzir em sala de aula um conteúdo rico em conhecimento e em valores", diz Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, membro do Conselho Nacional da Educação e redatora do parecer que acrescentou o tema à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Para Iolanda de Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, se a escola não inclui esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino: "Não podemos esperar mais para virar essa página na nossa história", enfatiza. Antes de saber como usar elementos da cultura africana em cada disciplina, vamos analisar alguns aspectos da história do continente e os motivos que levaram essas culturas a serem excluídas da sala de aula.
O ensino de História sempre privilegiou as civilizações que viveram em torno do Mar Mediterrâneo. O Egito estava entre elas, mas raramente é relacionado à África, tanto
que, junto com outros países do norte do continente, pertence à chamada África Branca, termo que despreza os povos negros que ali viveram antes das invasões dos persas,
gregos e romanos.

A pequisadora Cileine de Lourenço, professora da Bryant University, de Rhoad Island, nos Estados Unidos, atribui ao pensamento dos colonizadores boa parte da origem do preconceito: "Eles precisavam justificar o tráfico das pessoas e a escravidão nas colônias e para isso ‘animalizaram’ os negros". Ela conta que, no século 16, alguns zoológicos europeus exibiam negros e indígenas em jaulas, colocando na mesma baia indivíduos de grupos inimigos, para que brigassem diante do público. Além disso, a Igreja na época considerava civilizado somente quem era cristão.
Uma das balelas sobre a escravidão é a idéia de que o processo teria sido fácil pela condição de escravos em que muitos africanos viviam em seus reinos. Essa é uma
invenção que não passa de bode expiatório: a servidão lá acontecia após conquistas internas ou por dívidas – como em outras civilizações. Mas as pessoas não eram
afastadas de sua terra ou da família nem perdiam a identidade.
Muitas vezes os escravos passavam a fazer parte da família do senhor ou retomavam a liberdade quando a obrigação era quitada com trabalho. Outra mentira é que seriam povos acomodados: os negros escravizados que para cá vieram revoltaram-se contra a chibata, não aceitavam as regras do trabalho nas plantações, fugiam e organizavam quilombos.

A exploração atrapalhou o desenvolvimento
A dominação dos negros pelos europeus se deu basicamente porque a pólvora não era conhecida por aquelas bandas – e porque os africanos recebiam bem os estrangeiros,
tanto que eles nem precisavam armar tocaias: as famílias africanas costumavam ter em casa um quarto para receber os viajantes e com isso muitas vezes davam abrigo ao
inimigo. Durante mais de 300 anos foram acaçambados cerca de 100 milhões de mulheres e homens jovens, retirando do continente boa parte da força de trabalho e rompendo com séculos de cultura e de civilização.
Nesta reportagem, deixamos de lado de propósito a capoeira, embalada pelo berimbau; a culinária, enriquecida com o vatapá, o caruru e outros quitutes; as influências musicais do batuque e a ginga do samba e dos instrumentos como cuícas, atabaques e agogôs. Preferimos mostrar conteúdos ligados às ciências sociais e naturais, à Matemática, à Língua Portuguesa e Estrangeira e a Artes, menos comuns em sala de aula, para você rechear a mochila de conhecimentos dos alunos sobre a África.

 Fonte  http://revistaescola.abril.com.br/

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Livro O que é o racismo

Livro: O que é Racismo de Joel Rufino dos Santos - Coleção Primeiros Passos, Brasiliense - Download -
Easy-Share, aqui. ou Rapidsaher, aqui.
oqueeracismo [Didáticos] Especial Coleção Primeiros Passos   diversos livros para download grátis!

Manifesto da Revolta da Chibata

Ilmo. Sr. Presidente da República


Cumpre-nos comunicar a Vossa Excelência como Chefe da Nação Brasileira:



Nós marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos

não podendo mais suportar a escravidão na Marinha Brasileira,

a falta de proteção que a pátria nos dá e até então não chegou,

rompemos o negro véu que nos cobria os olhos do patriótico e enganado povo.

Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo ao seu bordo

prisioneiros todos os oficiais, os quais, tem sido os causadores da Marinha Brasileira não

ser grandiosa, porque durante vinte anos de República ainda

não foi bastante para tratarmos como cidadãos fardados em defesa da pátria.

Mandamos esta mensagem para Vossa Excelência faça aos Marinheiros Brasileiros

possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilita,

acabando com as desordens e nos dando gozos que venham

engrandecer a Marinha Brasileira, bem assim como, retirar os oficiais

incompetentes e indignos de servirem a Nação Brasileira;

reformar o Código imoral e vergonhoso que nos rege;

a fim de que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes;

aumentar o nosso soldo pelos últimos planos do Senador José Carlos de Carvalho;

educar os Marinheiros que não tem competência para vestirem a orgulhosa farda;

mandar por em vigor a tabela de serviço diário, que a acompanha.



Tem Vossa Excelência o prazo de 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória

sob pena de ver a pátria aniquilada.


Bordo do Encouraçado “ São Paulo” em 22 de novembro de 1910.


Marinheiros
*Manifesto dos marinheiros ao presidente da República/Arquivo da Marinha.