sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ações internacionais

Ação Internacional da FCP

O governo do presidente Lula promoveu nos últimos anos um intenso intercâmbio comercial e cultural com o Continente Africano. Já visitou vinte países para consolidar essa proposta de aproximação e explorar esse imenso potencial ecônomico e cultural. As relações com a África tornaram-se prioridade para o presidente Lula, por ele entender que o Brasil tem uma dívida histórica com aquele Continente, devido aos anos de escravidão e o tráfico de seres humanos para aqui servirem aos senhores feudais.
Durante o lançamento do III Festival Mundial de Artes Negras, em Salvador, em junho deste ano, o presidente Lula ressaltou a inegável importância dos negros na construção do Brasil. "O modo de vida de cada brasileiro e brasileira, a nossa língua, a nossa arte, a nossa forma de ver o mundo e, principalmente, o nosso jeito de ser têm raízes fincadas no solo africano [...] um continente que ajudou o povo brasileiro a ser como somos: alegres, batalhadores e com alma grandiosa".

Este novo capítulo nas relações Brasil e África está definitivamente escrito para a posteridade, sabidamente pelo compromisso com que o atual governo brasileiro tem se empenhado desafiadoramente para proteger e valorizar a diversidade das expressões culturais do mundo negro.

No âmbito do Ministério da Cultura, a Fundação Cultural Palmares foi chamada a dar corpo a esta nova política. Além de desenvolver programas e projetos de cooperação e intercâmbio com países francófonos, como o Senegal e o Benin, A Fundação tem a responsabilidade ainda de fortalecer políticas comuns nos países africanos de língua portuguesa, que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Além de uma ação específica para o continente africano, dentro da América Latina, as ações da Fundação Cultural Palmares estão também norteadas para uma política de aproximação com o Continente Africano, que busca evidenciar a preservação, valorização e difusão das manifestações culturais de origem negra.

A necessidade de articular a cooperação, o intercâmbio, a promoção e a divulgação da cultura afro entre o Brasil e países da América Latina e Caribe foi bastante evidenciada no 1º Encontro de Ministros da Cultura Latino-Americanos, para criar uma agenda afro-descendente nas Américas, realizado em 2008, em Cartagena de Índias, Colômbia.

Considerado um marco na proposta de cooperação multilateral entre os países ibero-americanos que elegeram a diversidade cultural como objetivo de um projeto de integração, este primeiro encontro de ministros da Cultura discutiu a necessidade de definir uma agenda comum entre os países, que seja capaz de construir processos de fortalecimento de identidade e integração das manifestações culturais afro-descendentes.

Entre as ações definidas pela Fundação no âmbito internacional, destacamos:

1- Ações África:

# CPLP - No âmbito da lusofonia, foi criado o portfolio de projetos da CPLP, no qual já figuram 23 projetos para os quais há de se buscar fontes de financiamento.

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BENIN - País do qual provém grande parte dos afrodescendentes brasileiros e berço do candomblé. A FCP fomenta um resgate das relações ancestrais, promovendo o intercâmbio entre o Brasil e o Benin, por meio de um acordo na area da cultura. O ponto alto desta cooperação foi a Semana do Benin na Bahia, organizada pela FCP, com 60 participantes vindos do Benin, que ocorreu de 18 a 23 de novembro de 2009 em Salvador.

A semana do Benin na Bahia é parte do intercâmbio cultural acordado entre os dois países. Foi uma produção da FCP e do MinC que coincidiu com o Dia Nacional da Consciência Negra no Brasil, 20 de novembro de 2009. Várias instituições do governo federal estiveram presentes e o Presidente Lula foi homenageado nesta ocasião pelos representantes do Benin convidados pelo MinC.
SENEGAL - O Senegal busca aglutinar a diáspora africana no mundo em torno ao ideal do Renascimento Africano. Para tanto, o governo do Senegal está organizando o III FESMAN, Festival Mundial das Artes Negras, previsto para dezembro de 2010. Inicialmente, existiu um projeto de Festival concebido para 2009. No entanto, seu o conceito está sendo revisto pelos atuais organizadores, e a coordenação está a cargo de Sindiely Wade. Por tal razão, a Srta. Wade veio à Brasília, apresentar o novo formato do III FESMAN ao Ministro da Cultura e ao Presidente da FCP. Na ocasião foi reiterado que o Brasil será o país-convidado, por possuir a maior diáspora africana no mundo.


2- Ações Américas:

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INTERCÂMBIO AFRO-LATINO - Visa criar políticas públicas comuns entre os países latino-americanos que contam com uma diáspora africana. O objetivo recíproco é o de preservar, valorizar e divulgar manifestações culturais de origem negra no continente. Uma das consequências de tal agenda foi a criação do OBSERVATÓRIO AFRO-LATINO, mecanismo que serve para aprofundar o conhecimento das manifestações de matriz africana nos países da América Latina.


II ENCONTRO AFRO-LATINO - Salvador, Bahia, de 25 a 28 de maio de 2010.

O II Encontro Iberomericano de Ministros da Cultura para a Agenda Afrodescendente nas Américas reuniu ministros, e representantes dos Ministérios da Cultura e de instituições culturais dos seguintes países: Barbados, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Além de tais países, estiveram presentes representantes da UNESCO e da SEGIB, assim como a Agência de Cooperação Espanhola - AECID e o Programa ACUA-FIDA, na qualidade de observadores.

Chamado II Encontro Afro-Latino, esta reunião ministerial foi consequência do I Encontro Iberomericano de Ministros da Cultura para a Agenda Afrodescendente nas Américas, convocado pelo Ministério da Cultura da Colômbia em 2008. Na ocasião, foi redigida a Declaração de Cartagena, sobre a qual se baseou a atual Declaração de Salvador. A Declaração de Salvador é resultado do acordo ao qual chegaram os países presentes, e tem por objetivo aprofundar o intercâmbio de experiências sobre políticas públicas para a implementação da "Agenda Afrodescendente nas Américas" com ações afirmativas para a igualdade racial. Ademais, representa um avanço no marco para propostas de cooperação entre os países por meio do intercâmbio, da promoção e da divulgação da cultura afrodescendente nos países da América Latina e Caribe promovendo novos horizontes para uma agenda multilateral 2009 - 2019.

Paralelamente ao II Encontro Afro-Latino, que assegura a base institucional para a cooperação, a FCP promoveu o Encontro de Pensadores, dirigido à sociedade civil, que reuniu agentes políticos, sociais, intelectuais e especialistas na área da cultura afrodescendente na América Latina e Caribe. A FCP organizou o Encontro de Pensadores para fomentar um foro de interação de diferentes agentes sociais através de conferências, mesas de discussão, grupos de trabalho e debates. É deste tipo de Foro que as instituições publicas retiram subsídios, informações específicas, questionamentos e diretrizes para definição de políticas públicas capazes de valorizar e promover todos os aspectos da cultura afrosecendente no Brasil e nas Américas.

Fundação Palmares

sábado, 13 de novembro de 2010

O homem que grita

Premiado de Cannes 2010 tem exibição gratuita

Por Vanessa Teles

Quem estiver em Brasília na próxima terça-feira, dia 09 de novembro, poderá conferir a pré-estréia da produção cinematográfica Um homem que grita, do diretor africano Mahamat-Saleh Haroun. O filme de ficção foi vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2010 e está sendo aclamado pela crítica internacional.

Mahamat-Saleh Haroun, que nasceu em Abéché (Chade), conta a história dos que sofrem os horrores da guerra que há décadas assola aquele país do norte da África. O filme não aborda diretamente a guerra civil, centrando a trama no sexagenário Adam, ex-campeão de natação e funcionário numa piscina de um hotel de luxo no Chade.

Quando investidores chineses compram o hotel, Adam é instado a deixar a vaga para o filho. Ele não gosta da situação, que considera um declínio social. Em meio ao caos civil, o governo pede para a população enviar dinheiro para reforçar a luta contra os rebeldes, ou uma criança com idade de combater.

O líder do bairro pede para Adam a sua contribuição, mas Adam ele tem dinheiro. Só tem um filho...

DEBATE - Presentes ao pré-lançamento o Embaixador da França no Brasil, Yves Saint-Geours; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo; e o diretor de Um homem que grita, Mahamat-Saleh Haroun, participarão de um debate com os presentes, após a exibição da película.

"É neste clima de medo do futuro que tentei captar Um homem que grita. Quando se vê o mundo desabar em volta, quando as referências estão turvas, quando a pressão política e social é forte demais, acabamos em perder pé? (Mahamat-Saleh Haroun).

SERVIÇO
O quê: Pré-estréia do filme Um Homem que Grita, debate com diretor e coquetel.
Quando: 9 de novembro de 2010, às 19h.
Onde: Sala Le Corbusier, na Embaixada da França no Brasil - SES Qd 801, Lote 04
Quanto: Entrada franca

Não se esqueça de confirmar a presença pelo telefones (61) 3222-3878 ou (61) 3222-3871.

Clique aqui para acessar um trailer do filme: http://www.bonfilm.com.br/umhomemquegrita

Extraído da Fundação Palmares

TRAMPOLIM DO FORTE / COMENTÁRIO

Infância brasileira em perigo


A sala de cinema acomodou cerca de 100 pessoas durante a exibição de Trampolim do Forte

Daiane Souza

Na data em que se celebra o Dia Nacional da Cultura Negra, cerca de 100 pessoas assistiram ao filme Trampolim do Forte, dirigido por João Rodrigo Mattos. A exibição foi parte da programação do seminário Qual é a face negra da mídia?, promovido pela Fundação Cultural Palmares, que aconteceu nesta sexta-feira, 5 de novembro, no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília.

Produzido em Salvador, a capital mais negra do País, o longa-metragem retrata dramas sociais vividos por crianças e adolescentes, tais como exploração sexual, tráfico de drogas, pedofilia, preconceito, trabalho infantil delinqüência... E para João Rodrigo Mattos, não se trata apenas de uma construção cinematográfica, mas de um registro da infância brasileira na primeira década do século XXI.

ATORES MIRINS - Adailson Dias dos Santos, 14 anos, e Everton Wallace Machado Costa, 16, são atores do filme. Adailson, que interpretou o personagem Felizardo, conta que a atuação foi sua primeira experiência como ator e que mudou sua visão em relação ao local onde mora: "Cada uma das cenas me marcou muito, porque de muita coisa eu não sabia e porque mesmo sendo filme, é real".

No papel, Adailson é um garoto trabalhador que se sente explorado pela mãe, já que esta não usa o dinheiro conquistado para garantir o bem-estar da família. Já o personagem Fuleirinho, interpretado por Everton, vítima da sociedade, rouba para satisfazer as necessidades e usa Felizardo como uma espécie de "laranja do crime": inclui o garoto no universo da marginalidade, escondendo as carteiras que rouba no isopor que o amigo usa para vender picolés.

Everton compara o cotidiano do filme à comunidade onde vive. "Tudo o que acontece na história é o que acontece todos os dias na Barra. A polícia intimidando, a prostituição, o tráfico", conta. "Isso acontece porque o Estado ainda é muito cômodo. Enquanto as pessoas não lutarem, tudo vai continuar o mesmo", completa.

Para o diretor João Rodrigo Mattos, sua obra é uma oportunidade para que a sociedade reflita sobre os riscos a que as gerações mais jovens estão expostas. "Em dez anos, poderemos rever o filme e perguntar se algo mudou", provoca.

Trampolim lúdico ______________________________________________________

Denise Porfírio

Trampolim do Forte é uma obra de ficção de características marcantes da maravilhosa fábrica de filmes do Nordeste do País. A cultura, a história, a arquitetura, os hábitos e a geografia de Salvador são importantes elementos narrativos do enredo.

Menos produto de entretenimento e mais instrumento de consciência social, o roteiro, apesar de lúdico, aborda temas que provocam diálogo com o público por meio de uma reflexão sobre os ideais da infância no Brasil.

Baseado em experiências reais e protagonizado por crianças, a obra investe na idéia do cinema transformador de conceitos e atitudes em ações positivas para o espectador. Fruto de um jovem diretor, João Rodrigo de Matos, o trabalho reafirma a importância da produção cinematográfica sobre a cultura afro-descendente no País.

A obra, pelos expectadores:

"Gostei bastante do filme, porque mostra um pedaço do Brasil que está fora do eixo Rio/São Paulo" (Paulo Vítor, 25 anos).

"O filme é maravilhoso, por mostrar, de maneira sutil, a exploração que tanta gente ignora, ou faz que não vê" (Maria Gabriele, 13 anos).


Extraído da Fundação Palmares

As faces negras das mídias

Mesa de debates: Juliana Nunes (E), João Acaiabe, Jeferson De, João Rodrigo Mattos, Zulu Araújo,
Newton Canitto, Joel Zito Araújo, Chica Xavier e Pola Ribeiro.

Por Joceline Gomes

Grandes personalidades da arte e da cultura brasileiras participaram da abertura do seminário "Qual é a face negra da mídia?", que abriu a programação comemorativa do Dia Nacional da Cultura (05-11), no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. O debate, mediado pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, tocou em questões sociais polêmicas, motivando o público, que participou ativamente das atividades.

À mesa de abertura sentaram-se o roteirista e secretário de audiovisual do Ministério da Cultura, Newton Canitto; os cineastas Pola Ribeiro, João Rodrigo Mattos, Jeferson De e Joel Zito Araújo; o ator João Acaiabe e a coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), jornalista Juliana Cézar Nunes. A presença ilustre da atriz Chica Xavier fez Zulu Araújo quebrar o protocolo e convidá-la a participar da mesa, devido à sua relevante participação no processo de construção da cidadania negra.

As discussões acaloradas contaram com perguntas e contribuições do público, em meio aos depoimentos dos convidados, que deveriam, com sua trajetória pessoal e profissional, responder à provocação do título do seminário: "Qual é a face negra da mídia?" Após o seminário, foi servido um típico almoço afro-brasileiro, seguido de filmes igualmente nacionais e de novos debates. Confira, abaixo, algumas opiniões dos participantes do seminário.

"É com a diversidade que apresentamos aqui na mesa deste seminário que precisamos militar e nos manifestar contra o racismo na mídia. Somente assim poderemos ter um país substantivamente democrático." (Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares).

"Hoje, nessa mesa, e em outras ações culturais e educacionais de que participo, me sinto fazendo alguma coisa, plantando na terra que deveria ser de Zumbi" (Chica Xavier, atriz, agradecendo a participação na primeira fala do seminário).

"Não podemos ser como os europeus e americanos, que ´toleram´ a diversidade. Devemos preservar e valorizar essa diversidade, característica do nosso País". (Newton Guimarães Cannito, secretário de audiovisual do Ministério da Cultura).

"A face negra da mídia é a mídia mais alternativa, produzida com esforço por grupos políticos e culturais diferenciados, que conseguem se posicionar com mais diversidade e verdade, falando ´eu sou assim, e assim eu me posiciono´ " (Pola Ribeiro, cineasta e diretor da TVE Bahia).

"É um erro estratégico fazer essa separação na mídia: de roteiristas negros escrevendo sobre negros. É importante que negros trabalhem com brancos, que não sejam produções isoladas" (Joel Zito Araújo, cineasta e pesquisador).

"A face negra da mídia é a face de quem está por trás das câmeras: roteiristas, produtores, diretores, etc. Não vou falar para brancos pararem de produzir. Eu apenas quero ter o direito de produzir também e de ser visto" (Jéferson De, cineasta).

"A face negra da mídia tem dois lados: o positivo, da alta produção sobre a questão racial; e o negativo, do preconceito velado, da discriminação na grande mídia, que ainda é controlada por interesses pessoais e comerciais e não discutem elementos contra o racismo" (João Rodrigo Mattos, cineasta).

"Fiz participações em filmes de diretores negros, mas qual a oportunidade que esses diretores têm de fazer filmes? Não adianta só conversar com professores ou com pessoas engajadas. É uma atmosfera que precisa ser criada contra o racismo na mídia" (João Acaiabe, ator).

"Precisamos combater o racismo que existe nas redações dos jornais e revistas, que se reflete nas pautas e nas fotografias. O número de jornalistas negros e de fotografias de negros em contextos diferenciados é ínfimo [...]. Precisamos exigir uma política de igualdade racial nas empresas de comunicação" (Juliana Cezar Nunes, coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação - EBC).

Extraído da Fundação Palmares

Mostra de fotografia

Cultura afro-colombiana em Brasília


Para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, a Fundação Acua (Colômbia), a Fundação Essamba Home e a Fundação Cultural Palmares uniram-se para trazer ao Brasil a mostra Herança Africana: Retratos das mulheres africanas e afro-colombianas, da fotógrafa camaronesa Angèle Etoundi Essamba. O vernissage será dia 11 de novembro próximo, no Espaço Cultural Zumbi dos Palmares da Câmara dos Deputados (Brasília/DF).

Este grandioso registro fotográfico quebra estereótipos e exalta a mulher negra em suas diversas possibilidades: "alma da família", empresária, independente, bela e orgulhosa de si. As imagens de Angèle Etoundi Essamba refletem com maestria o contrapeso da simplicidade e da sensibilidade com a força e o poder dessas mulheres em suas atividades cotidianas.

Uma explosão de cores e formas retrata a harmonia das afro-colombianas com a natureza. Crianças, olhares, objetos, texturas; mulheres sérias, descontraídas, cansadas, trabalhando, em grupo... Tudo vira fonte de contemplação das lentes de Essamba, que capta o invisível aos olhos comuns para mostrar ao mundo a contribuição cultural e histórica dos negros africanos na América Latina.

A exposição visa resgatar essa herança, que é compartilhada pelos países latinos, com um olhar esteticamente renovado. Sua estreia em meio às celebrações do Mês da Consciência Negra não poderia ser mais emblemática e oportuna, pois a eloquência das imagens de Essamba reforça a necessidade de se descondicionar o olhar brasileiro sobre a história de sua população negra.

A FOTÓGRAFA _______________________________________________________________

A aclamada fotógrafa Angèle Etoundi Essamba nasceu em Duala, Camarões, mas mudou-se para Paris aos dez anos de idade. Estudou na Escola Profissional Holandesa de Fotografia, em Haia, e mantém uma oficina em Amsterdam. Entre as exposições de maior destaque, pode-se citar a Bienal de Havana (1994), a Bienal da África do Sul, em Johannesburgo (1995), a mostra Fest dês 3 Continents, em Nantes, França (1996), Dak´ART, no Senegal (2000 e 2002) e a Bienal de Bamako, em Malí (2001).

A FUNDAÇÃO PALMARES ______________________________________________________

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem a finalidade de promover e preservar a cultura afro-brasileira. Preocupada com a igualdade racial e com a valorização das manifestações culturais de matriz africana, a Palmares formula e implanta políticas públicas para potencializar a participação da população negra no processo de desenvolvimento do País.

SERVIÇO
O quê: Exposição Herança africana: Retratos das mulheres africanas e afro-colombianas, da fotógrafa Angèle Etoundi Essamba
Quando: 11 de novembro a 02 de dezembro
Onde: Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara dos Deputados (Edifício principal)
Endereço: Praça dos Três Poderes, Brasília-DF.
Quanto: Entrada franca


Extraído da Fundação Palmares

Documentário sobre Pierre Verger

Boa pedida para ver e ouvir é o documentário Pierre Verger: O Mensageiro entre dois mundos, dirigido por Lula Buarque de Holanda que conta a trajetória do fotografo e etnógrafo Pierre Verger. Este documentário trata da ligação entre África e Brasil nos trabalhos de Verger, nele o fotografo é percebido com mensageiro entre os dois continentes pelo incentivo ao intercambio cultural, principalmente em relação ao candomblé. Ele revela em sua fotografias e textos, as semelhanças ritualísticas entre os povos dos dois continentes.
A narrativa é feita por Gilberto Gil, que faz um bom trabalho, principalmente por sua relação com o candomblé, o que favorece a condução do documentário. Gil entrevista personagens que vão desvendando pouco a pouco a relevância de Verger no entendimento e interpretação da cultura brasileira de matriz africana.
Em sala de aula o filme pode servir para incentivar um debate sobre a construção da identidade afro- brasileira, e principalmente afro- baiana, através da percepção religiosidade entendida como resistência.

domingo, 7 de novembro de 2010

A LENDA DO MACULELÊ



(O Maculelê é uma dança de bastões brasileira que tem provável origem Afro-indígena, pois, foi trazida das etnias africanas congo-angolanas(há sugestões de que tenham sido os cucumbis) para cá, sendo mesclada com alguns elementos da cultura dos índios brasileiros (supostamente os aimorés) que aqui já viviam. É comum no interior da Bahia e do Rio de Janeiro.


—Entre os povos africanos há um personagem muito importante: é o Griôt ou contador de história. Os Griôts contam as histórias do povo africano para manter vivo o conhecimento e valorizar a ancestralidade pela cultura oral.

—Toda vez que os Griôts começam suas histórias eles pedem emprestadas as orelhas do ouvintes guardando-as no coração, e falam uma palavra mágica que significa... ERA UMA VEZ... como nós faremos agora. Vocês emprestam suas orelhas? Então vamos lá: KARINGANA UA KARINGANA...


A LENDA DO MACULELÊ

—Um grupo de africanos da etnia cucumbis foram escravizados na África e trazidos para o Brasil para trabalharem nas fazendas brasileiras cultivando a cana-de-açúcar.

—Os povos cucumbis eram mestres na arte da dança guerreira com bastões. Eles sempre ensinaram aos seus filhos esta arte desde muito cedo.

—Numa das fazendas de cana-de-açúcar do interior da Bahia, um casal africano teve um filho ao qual deram o nome de MACULELÊ.

—Maculelê tinha uma doença na pele que o deixava triste, envergonhado e isolado.

—Um dia, quando Maculelê fez 7 anos de idade, ele resolveu fugir da fazenda e se esconder na floresta onde ninguém pudesse vê-lo. Seus pais e amigos procuram por ele, mas, não o encontraram.

— Depois de uma semana, os índios aymorés que moravam naquela floresta encontraram o Maculelê e ficaram preocupados com o problema do menino, pois, para os índios há duas coisa muito importantes no mundo:

— Em primeiro lugar Deus, que está em toda a natureza! Em segundo lugar as crianças, porque elas são os tesouros do mundo!

— Então, os índios convidaram Maculelê para ir morar na aldeia deles dizendo que o Pajé (curandeiro deles), poderia tentar cura-lo com suas plantas e ervas.

—Só que Maculelê não queria ser visto por ninguém e não aceitou ir para a aldeia no começo.

—Então, o cacique dos índios fez um trato com Maculelê: que ele iria para a aldeia de noite, direto para a oca do pajé, ficaria escondido lá, e ninguém entraria nesta oca, somente o pajé que iria cuidar dele, e assim ninguém mais o veria como ele queria.

— Maculelê aceitou a proposta, e viveu na oca do pajé por muitos anos.

— Num dia de sol, os guerreiros da aldeia saíram pra caçar e pescar e só as mulheres e as crianças ficaram. Daí vieram alguns índios de uma tribo rival para atacar a aldeia.

— Maculelê que já estava um rapaz, ouviu as mulheres e crianças gritando, e foi acudi-las. Ele pegou dois bambus que estavam na oca do pajé e saiu para guerrear com os batões nas mãos.

— Maculelê tinha aprendido a luta dos bastões com seus pais africanos. Ele lutou com os índios rivais que não conheciam aquela luta e venceu!

— Quando os índios aimorés voltaram da caçada souberam do acontecido e foram saudar e agradecer a valentia e a proeza de Maculelê.

— Só então Maculelê ficou sabendo que estava curado de sua doença de pele, e também agradeceu ao pajé.

— A tribo dos aimorés fizeram uma festa para celebrar a vitória e a vida. Eles também pediram ao Maculelê para ensinar aquela luta de bastões; daí então, juntaram os movimentos guerreiros dos africanos cucumbis com as danças indígenas brasileiras e a esta nova dança deram o nome de: MACULELÊ!!!

MACULELÊ=Palavra do idioma quicongo makélelè que significa Barulho, algazarra, vozeria.

*Lenda Recolhida através da Cultura oral brasileira; adaptação da professora Denise Guerra.

Extraído integralmente do blog AfroCorporeidade

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O mês da consciencia negra

Olá caros amigos,neste mês de novembro comemoramos, no dia 20, o dia da consciência negra, data importante para trabalharmos com os nossos alunos em sala de aula, segue no blog dois textos sobre esta questão um sobre Zumbi e outro sobre a história do dia da consciência negra. È muito importante despertar nos alunos o orgulho e reconhecimento dos heróis negros brasileiros, entender o contexto de suas vidas e suas lutas cotidianas. A existência e resistência do quilombo de Palmares é realmente um marco, um feito histórico importante e que não deve ser esquecido. Vamos lá professores mãos á obra!



Andrea Guanais

Quem foi Zumbi

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

extraido integralmente do site http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/zumbi_dos_palmares.htm

Dia da consciência negra

História do Dia Nacional da Consciência Negra

Esta data foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Importância da Data

A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.

Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.


extraído integralmente do site
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_consciencia_negra.htm

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Inscrições abertas para o I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades - BA


De 25 a 27 de novembro de 2010 acontecerá em Salvador/BA o I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades – Gênero, Raça e Educação nos Países da Diáspora depois de Durban, que tem como tema a intersecção de gênero-raça no contexto educacional do Brasil, Nigéria e Filadelfia. Estarão reunidas 500 pessoas, entre convidados nacionais e internacionais, ativistas, estudantes, professoras(es) da Rede Municipal de Educação de Salvador e público em geral.
O objetivo do evento é favorecer, fortalecer, estimular o intercâmbio de experiências educacionais voltadas para a superação do racismo, sexismo, homofobia e outras formas de discriminação, tendo em vista influenciar a criação de políticas voltadas para a garantia da igualdade racial e de gênero. Acontecerão conferências, mesas redondas, grupos de trabalho, mini-cursos, oficinas e atividades culturais, onde especialistas compatilharão saberes e práticas vivenciados em seus contextos educacionais. O I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades - FIEDI será realizado nas dependências do Hotel Pestana (Rio Vermelho).

Site do evento: http://www.fiedi.com.br/

Seminário

IV Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo - SC

Organizado pelo NEAB/UDESC, entre os dias 10 e 12 de novembro de 2010 nas dependências da UDESC (Campus 1 - Itacorubi - Florianópolis/SC)

Apresentação
O IV Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo acontecerá entre os dias 10 e 12 de novembro de 2010 nas dependências do Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Integrado à programação do evento teremos a realização do II Seminário Internacional Áfricas: Historiografia Africana e Ensino de História e o II Seminário Memória e Experiência: elementos de formação da Capoeira Angola.
O seminário tem como objetivo ser um espaço de divulgação, discussão, apresentação, avaliação e debate sobre ações e propostas em prol das relações etnicorraciais na educação em sintonia com as políticas públicas. Assim, o intuito central é possibilitar que o IV Seminário coloque em discussão os desafios e as novas perspectivas para se pesquisar e produzir conhecimento em ciências sociais e humanas, no campo da história e da educação, referente à educação das relações raciais, aos estudos de diáspora africana e história da África, incorporando novas discussões no âmbito do que se tem produzido e disseminado sobre as populações de origem africana.


Confira no site a relação dos Trabalhos Aprovados e também o link para Inscrição de Monitoria do evento.


As inscrições para ouvinte estão abertas e são gratuitas.


Programação atualizada
Dia 10/11/2010

Manhã

8:00 às 10:00 - credenciamento
10:00 às 12:00 mesa – redonda I: Lei Federal 10.639/03: Plano Nacional de implementação
Paulino de Jesus Francisco Cardoso (UDESC) - Expõe e Coordena
Wilma de Nazaré Baia Coelho (UFPA)
Valter Roberto Silvério (NEAB-UFSCar)

12:00 - Roda de Capoeira sob coordenação do mestre Nô

Tarde
13:00 às 16:00 - Mesas de comunicação coordenada
16:30 às 18:00 Conferência1: Multiculturalismo, Globalização e Educação
Severino Ngoenha (Universidade de Lousanne – Suíça)
18:00 às 18:30 - Coffee Break
18:00 às 19:00 - Conferência 2 - Memória e Experiência: contrapontos à colonialidade do saber
Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô) e coordenação do professor Msc. Leandro de Oliveira Acordi

Noite

19:00 - Apresentação Cultural Teatro "Coisa de Negão"
19:30 - Solenidade de Abertura
20:00 às 21:00 Conferência 3: Diáspora e Pós-Colonialismo
Francisco López Segrera (Universidade Politécnica da Cataluña - UPC)

Dia 11/11/2010

Manhã
8:30 às 10:30 - Mesa Redonda: Educação Multicultural
Fernando Burrows (Universidade Católica do Chile)
Rachel de Oliveira (UESC)
José Nilton de Almeida
Marilise Luiza Martins dos Reis (UDESC) - Expõe e Coordena

10:45 às 12:00 – Mesa redonda 1: Ensino de História da África
Selma Pantoja (UnB)
Denílson Lessa (UNEB)
Cláudia Mortari (UDESC) - Expõe e Coordena
Sílvio Marcus Corrêa (UFSC)

10:45 às 12:00 - Mesa redonda 2 (Firmina): Pós-colonialidade: discutindo representações
Cláudia Rocha (UNEB)
Otto Agra Figueiredo (UEFS)
Patricia Pena (IFBA)
Ivanilde Guedes de Mattos (UEFS)
Wilson Roberto de Mattos (UNEB)

12:00 às 13:30 - Oficina Memória e Experiência: diversidade na capoeira
Mestra Elma Weba e Rosângela C. Araújo (Mestra Janja)

Tarde

12:30 às 13:00 - Apresentação de pôsteres
13:00 às 17:00 - Mesas de comunicação coordenada
17:00 às 19:00 - Mesa redonda: Gênero, corporeidade e sexualidade nas relações etnicorraciais
Jimena Furlani (Universidade do Estado de Santa Catarina- UDESC) - Expõe e Coordena
Ana Cláudia Lemos Pacheco (UESB)
Elizeu Clementino de Souza (UNEB)

17:00 às 19:00 - Mesa redonda: Artes e Expressões de Comunicação
Amaílton Azevedo (PUC-SP)
Larissa Bélle (UNIPLAC)
Nirlene Nepomuceno (CECAFRO/SP)

Noite

19:00 às 19:30 - Mostra de Vídeo curta metragem

19:00 às 20:00 - Lançamento do vídeo documentário "Mestre Nô: um grande mestre na roda e na vida"
Lançamento da Coleção África-Brasil organizada pelo NEAB/UDESC
Lançamento do Livro "Caixa de Surpresa" da autoria da profa. Maria do Carmo Ferreira da Costa, Editora Nandyala
Lançamento do Livro "Estética Afirmativa: Corpo Negro e Educação" de autoria da profa. Ivanilde Guedes de Mattos. Salvador: EDUNEB, 2009.

20:00 às 21:30 Conferência 4: Historiografia Africana na Contemporaneidade
Isabel de Castro Henriques (Universidade de Lisboa- UL)

20:00 às 21:30 - Mesa redonda: Identidades e diversidade na capoeira
Mestra Elma Weba
Rosângela C. Araújo (Mestra Janja)
Cristian Muleka Mwewa
Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô)

Dia 12/11/2010
Manhã

8:00 ao 12:00 – mini-cursos/oficinas

Tarde

14:00 às 16:00 - Mesa redonda: Descolonialidade e Afro Diáspora
Wilson Roberto de Mattos (UNEB)
Maria Antonieta Antonacci (PUC-SP)
Acácio Almeida dos Santos (Casa das Áfricas)
Willian Robson Soares Lucindo (NEAB/UDESC) - Coordenador

14:00 às 16:00 - Mesa redonda: Literatura Africana e da Diáspora
Íris Amâncio (UFF)
Maria do Carmo Ferreira da Costa
Júlio César da Rosa (NEAB/UDESC) - Coordenador

16:00 às 18:00 – Mesa Redonda: Novos paradigmas na educação:
Relações étnicorraciais e educação e diversidade: uma abordagem necessária.
Maria Lúcia Müller (UFMT)
Vânia Beatriz Monteiro (UFSC)
Neli Góes Ribeiro (UDESC)
Virgínia Ferreira Boff (NEAB/UDESC) - Coordenadora
Noite

18:30 às 19:30- Conferência 5: Plano Nacional de Implementação da Lei Federal 10.639/03
Martius Antonio Chagas (Subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR)
19:30 às 20:00 - Apresentação Cultural e encerramento.

Dia 13/11/2010**

Local: Sede da Associação Cultural Ilha de Palmares (Fortaleza da Barra da Lagoa)
09:30 às 12:00 - instrumentação na capoeira - Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô)
15:00 às 18:30 - instrumentação no samba de roda - Mestre Nô/Contramestre Gerry Costa

Dia 14/11/2010**

Local: Barra da Lagoa
11:00 - Encerramento com Roda de Capoeira e Samba de Roda (se chover, o encerramento será realizado na Sede da Associação Cultural Ilha de Palmares).
*A programação está sujeita a alterações.
** Estas datas de 13/11 e 14/11 referem-se apenas a atividades do II Seminário Memória e Experiência: Elementos de formação da Capoeira Angola.


Àfrica e seus mapas

Eu recomendo que vocês dêem uma olhada no site http://www.afriterra.org/MapImages/index.html, lá encontraram mapas da África antigos e poderiam notar a diferença entre estes e o mapa actual, com suas divisões recortadas quase que á régua. É interessante propor um trabalho com os alunos de perceber estas diferenças estudando a historia da África, principalmente a questão da partilha da África pelos europeus no século XIX.Tem vários mapas no site, mas um , em particular, me interessou; foi o mercator 1607, lá tem o mapa de toda a África com suas fronteiras naturais e povos, tem ainda a opção de zoom em todos os mapas.Vale a pena conferir, site está na minha lista de links legais, é só clicar e entrar!

sábado, 30 de outubro de 2010

Orúko - Memórias e Heranças Negras


14/10/2010

De 3 a 5 de novembro de 2010, a Secretaria da Educação – SEC/BA, através do Instituto Anísio Teixeira – IAT, se une às celebrações do Mês da Consciência Negra e realiza o Orúko - Memórias e Heranças Negras – evento com diversas atividades que trazem à tona as discussões sobre a identidade africana e afro-brasileira e sua memória de luta pela igualdade. A iniciativa, voltada para professores e alunos da rede pública de enisno, conta com a parceria do Ministério Público da Bahia – MP/BA e da Coordenação de Educação para as Relações Etnicorraciais e Diversidade da SEC/BA.

De origem iorubá (ou yorùbá, idioma de origem africana), orúko significa uma pergunta muito comum: qual é o seu nome? Mas, no Mês da Consciência Negra, o questionamento impacta uma resposta de relevância social. Segundo Josemara Souza, representante da equipe organizadora do evento, o Orúko é um chamado para a aceitação e a valorização da identidade negra. É a auto-afirmação de toda a contribuição cultural e científica que mulheres e homens negros têm produzido na Bahia, no Brasil e no mundo, mas que ainda são pouco divulgadas e reconhecidas pela sociedade.

“Normalmente, a imagem dos negros é estereotipada pelo apelo ao exótico. Temos o legado de beleza, dança, religião e música, mas também temos a literatura, a ciência, a produção intelectual. Obras que precisam sair do gueto, serem fortalecidas, divulgadas e reconhecidas amplamente”, explica Josemara, que cita exemplos como Milton Santos, Manuel Querino, Mãe Stella de Oxossi e a primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois.

Orúko Memórias e Heranças Negras integra as diversas ações formativas da SEC/IAT que objetivam fomentar na rede pública de ensino o debate sobre a importância da cultura do povo negro na história brasileira. Mais uma iniciativa que discute questões pertinentes à aplicação das leis federais nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que incluem no currículo oficial da Educação Básica a obrigatoriedade das temáticas "História e Cultura Afro-Brasileira" e “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, respectivamente.

Um dos destaques do evento é a proposta de compartilhar os conhecimentos de pesquisas etnográficas com enfoque no acervo literário afro-brasileiro. As atividades objetivam expor o cenário da África transplantada à Bahia e a sua relação histórica e social com o patrimônio imaterial baiano; a apresentação dos autores da literatura africana que se dedicam à valorização da memória social de culturas africanas; além da interpretação de contos afro-brasileiros para conhecer o contexto sociocultural e a dinâmica pedagógica do legado africano do Brasil.

Os trabalhos ainda conduzirão o público a descobrir, nos signos linguísticos do português brasileiro, os “aportes” e “decalques” africanos presentes em contos afro-brasileiros e discursos cotidianos do baiano. A perspectiva é identificar possíveis enfoques temáticos nos textos da literatura africana do Brasil, visando a transformação do currículo etnocêntrico europeu em um currículo de valorização da diversidade cultural.

Para isso, a programação conta com realização de mesa-redonda para debate, oficinas pedagógicas de linguagem cênica com recriação de contos afro-brasileiros e videoconferência sobre estratégias para implementação das leis 10.639/03/ e 11.645/08 nas escolas. Também serão apresentadas as experiências das escolas públicas estaduais que foram beneficiadas com projetos realizados por professores da rede, participantes do curso de história e cultura africana e afrobrasileira - Agora a História é outra, oferecido pela SEC/IAT. O público poderá apreciar ainda a exposição de fotos das ações e projetos desenvolvidos pela Coordenação de Educação para as Relações Etnicorraciais e Diversidade da SEC/BA e pelas escolas públicas participantes.

Programação

03 de novembro de 2010
8h30 às 12h
Oficina Pedagógica de Linguagem Cênica com recriação de Contos Afro-Brasileiros
Profa. Janice Nicole
13h30 às 17h30
Oficina Pedagógica de Linguagem Cênica com recriação de Contos Afro-Brasileiros
Profa. Janice Nicole

04 de novembro de 2010
8h30
Apresentação cultural
8h50 às 12h
Videoconferência: Disciplinar ou Transversalizar? Metodologias para implementação da Lei 10.639/03/11.6645/08 no currículo
12h às 14h
Almoço
14h às 17h30
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual

05 de novembro de 2010
8h30
Apresentação cultural
9h às 12h
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual
12h às 14h
Almoço
14h às 17h30
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual

Exibição de filmes temáticos referentes à superação do preconceito étnico e cultural com referência a origem africana

Horários: 12:00 às 13:30
Local: Auditório
Dias: toda quinta -feira, de 4/11 a 25/11

Obs: Teremos lanche pela manhã e tarde, e almoço nos dois dias.

Local: Instituto Anísio Teixeira (Estrada das Muriçocas, s/n, Paralela, Salvador- BA)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Samba por Nei Lopes

Na pluralidade do samba


Nome: Nei Lopes

Formação: Autor e intérprete de música popular. Pesquisador do samba e do choro, escritor, militante desde a juventude no movimento negro brasileiro.

Obra: Em seu legado para a cultura brasileira incluem-se as composições como Gostoso Veneno, Coisa da Antiga, Senhora Liberdade, Goiabada Cascão e Samba de Irajá. Atualmente, além do seu trabalho com o Samba, trabalha na elaboração da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, sobre verbetes do universo do Samba e do Choro.


Olha, eu tenho todo um campo de reflexão sobre a participação do elemento africano e afro-descendente na cultura brasileira. Então, evidentemente, que eu teria que passar pelo samba, que é o segmento mais visível em termos da musicalidade brasileira, é o segmento mais visível dessa participação. Então, eu tenho estudado, ao longo dos anos, a questão do samba, a questão das escolas de samba. Só que, em relação às escolas de samba, como é um fenômeno, no meu entender, já absolutamente comprometido com a indústria cultural, já extrapolou os limites da criação popular, então, eu já abandono um pouco as minhas reflexões sobre a escola de samba. Prefiro me centrar hoje no samba enquanto gênero de música popular brasileira, enquanto matriz da grande música que se faz nesse país.


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Entrevista com Nei Lopes

Salto – Há quanto tempo você tem se dedicado à música, como cantor e compositor?

Nei Lopes – Olha, eu tenho uma carreira profissional iniciada em 1972, já se vão 32 anos. Então, eu acho que são três décadas dedicadas à cultura popular brasileira em duas vertentes: na vertente do compositor, de criador e na vertente de crítico, pessoa que procura refletir sobre a realidade da música brasileira. Vou falar sobre a primeira: refletir sobre a realidade da música brasileira. A primeira gravação minha como compositor profissional foi em 1972 e a primeira reflexão publicada foi em 1981, num livro em que eu, exatamente, procurava analisar questões envolvendo basicamente as escolas de samba do Rio de Janeiro e fazendo até um certo exercício de futurologia com relação às coisas que estão acontecendo hoje, isso em 1981. É uma caminhada.

Salto – E essas coisas estão acontecendo?

Nei Lopes – Estão acontecendo, a minha reflexão primeira foi em cima da questão das escolas de samba que sofreram uma transformação muito grande, a partir de meados da década de 70. E as transformações se refletiram, exatamente, num privilégio do espetáculo em detrimento do fazer cultural, propriamente dito. Quero dizer, a questão do mercado, a questão da indústria sobrepujou a questão da criação coletiva, no meu modesto julgamento. Isso em termos de escola de samba, que é uma coisa, o samba é outra coisa diferente, são duas instituições que, em certo momento histórico, se cruzam, mas são duas coisas diferentes e eu procuro enfatizar a diferença entre uma coisa e outra. Quando a escola de samba foi criada no Rio de Janeiro, a Instituição Escola de Samba, na década de 20, o samba já existia há muitas décadas antes. Muito antes.

Salto – Como tem sido pesquisar a origem do samba?

Nei Lopes – Olha, eu tenho todo um campo de reflexão sobre a participação do elemento africano e afro-descendente na cultura brasileira. Então, evidentemente, que eu teria que passar pelo samba, que é o segmento mais visível em termos da musicalidade brasileira, é o segmento mais visível dessa participação. Então, eu tenho estudado, ao longo dos anos, a questão do samba, a questão das escolas de samba. Só que, em relação às escolas de samba, como é um fenômeno, no meu entender, já absolutamente comprometido com a indústria cultural, já extrapolou os limites da criação popular, então, eu já abandono um pouco as minhas reflexões sobre a escola de samba. Prefiro me centrar hoje no samba enquanto gênero de música popular brasileira, enquanto matriz da grande música que se faz nesse país.

Salto – Essa pesquisa tem contribuído para o Nei Lopes artista, que canta, que compõe?

Nei Lopes – Esse trabalho, esse estudo tem me embasado no sentido de me fortalecer cada vez mais nas minhas convicções. Eu tenho uma percepção clara de que existe toda uma estratégia internacional hoje, da indústria cultural, no sentido de pasteurizar, no sentido de nivelar, no sentido de desnacionalizar a música em nível planetário. Criou-se um padrão musical que interessa ao mercado, esse padrão é imposto em todos os países, em todos os quadrantes do planeta Terra. Então, esse conhecimento, essa consciência me embasa para procurar fazer um samba, uma música popular brasileira que seja, cada vez mais, resistente a essa estratégia, e é isso que eu tenho feito ao longo dos anos. Quer dizer, há todo um contexto que é contrário a essa afirmação da nacionalidade, da música popular brasileira contra o qual eu me insurjo. E como é que eu me insurjo? Me insurjo fazendo uma música que procure ser, cada vez mais brasileira, cada vez mais peculiar e, cada vez mais múltipla, é isso que eu procuro fazer.

Salto – O senhor acredita que o samba ainda é visto de maneira preconceituosa?

Nei Lopes – Absolutamente, completamente preconceituosa. O samba é sempre associado, primeiro por suas origens negras, o samba é sempre associado à escravidão, associado à pobreza, é associado à favelização, associado à criminalidade, e essa é a grande estratégia que é usada pela indústria cultural globalizante, no sentido de colocar o samba numa condição subalterna sempre. E é também uma estratégia que compõe todo esse complexo de dominação e de colonização cultural. Uma das estratégias também é taxar o samba como uma coisa imóvel, como uma coisa velha, como uma coisa que não se renova. Eu escrevi um livro, há uns dois anos, chamado Samba b – a – ba, o samba que não se aprende na escola. Esse livro mereceu oito páginas de uma revista elegante, uma revista finíssima que é editada em São Paulo, editada, inclusive com muito patrocínio do Governo. Então, é uma revista muito bonita, de altíssimo nível, ela tem papel couchê, custa caríssimo nas bancas... Essa revista se ocupou do meu livro, num artigo altamente tendencioso, usou 8 páginas para falar do meu livro, acusando o livro de coisas: que o livro era passadista, era reacionário. O título da chamada de capa dessa crítica, veja bem, dizia assim: “Nei Lopes – O samba em formol”. Eu absolutamente não advogo que o samba tenha que ficar “museificado”, tenha que ficou imóvel, nada disso, eu sou uma das pessoas que mais propugnam pela visibilidade, pela diversidade, pela multiplicidade do samba. Agora mesmo, estamos aqui no estúdio, estou concluindo mais uma produção, mais um disco meu, um disco em que eu procuro evidenciar essa diversidade, por exemplo. É um disco de samba com algumas informações afro-cubanas, porque eu acho que os universos do samba são irmãos. São muito semelhantes, são duas coisas que se cruzam a todo momento, o que não acontece, por exemplo, com a música afro norte-americana, em relação à brasileira. Os negros americanos não usaram tambor, foram historicamente despossuídos do tambor pela colonização, pela evangelização dos protestantes. Enquanto que os negros da América-hispânica, da América portuguesa, como, nós, usaram sempre o tambor. Então, você pega a música de Cuba, a música de Porto Rico, a música da República Dominicana, a música do Haiti, até o próprio Prata, do Uruguai até a Argentina, há uma similitude entre essas músicas, porque elas têm origens comuns, a origem na grande civilização Banto, lá do Congo, Angola e adjacências, o que não ocorre com a música dos Estados Unidos. Então, você pega um samba e o associa com a música afro-hispânico, a música centro-americana, é absolutamente coerente, não é colonização, nem coisa nenhuma. Você está promovendo o encontro entre parentes que foram, de uma certa forma, dispersos pela escravidão e etc. e tal. Então, eu procuro no meu trabalho, sempre que posso, chamar o samba para essas associações e exatamente por isso. Para mostrar que o samba é plurifacetado, o samba é um gênero musical altamente rico, não é velho, porque ele se renova a cada momento, desde o primeiro samba, registrado como samba, que foi “Pelo telefone”, a gente observa que, a cada década, há uma renovação da expressão dessa pluralidade do samba, que também está vivo até hoje por causa disso. E, às vezes, até é meio difícil perceber essa diversidade, inclusive em sub-gêneros, que às vezes são mostrados como gênero, como por exemplo, a Bossa Nova, é um samba, é uma forma de fazer samba. O choro como forma instrumental de se tocar o samba, o chamado sambop, o samba jazz surgido aqui no Rio de Janeiro no contexto da Bossa Nova, o samba de piano, baixo e bateria. Aí está um dos poucos momentos em que a tradição norte-americana e a tradição brasileira se encontram. Mas se encontram por via do jazz primeiro, mas o jazz tocado com um acento de samba e por aí vai. Então, o samba é essa diversidade, inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas, que emanam da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou samba de quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo Bahiano, das quais indústria cultural se apropriou. Então, o que eu procuro fazer sempre, é mostrar essa diversidade, essa pluralidade e mostrar que o samba está vivo aí, não está velho e não está no formol.

Salto – Por que o senhor acredita que o conceito de pluralidade cultural ganha tanta importância no mundo hoje?

Nei Lopes – Eu acho que há uma dualidade de pensamento aí, eu acho que os intelectuais, os intelectuais “do bem” (risos), procuram enfatizar a questão da pluralidade e procuram valorizar essa questão. Ao passo que outras expressões intelectuais que não são tão “do bem” assim, que estão visando muito mais o capital, são expressão de um capitalismo bastante perverso, bastante massacrante, já não valorizam a pluralidade do jeito que a intelectualidade do bem valoriza. Porque não interessa... o mundo hoje é comandado por corporações, cada vez menos corporações. Digamos que hoje você tem conglomerados, uns 4 ou 5 conglomerados comandando a cultura no mundo inteiro. Então, evidente, que quanto mais se concentra o poder nas mãos desses conglomerados, menos a pluralidade interessa. Você tem, para dominar o mercado, você tem que ter um mercado homogêneo. Então, essa homogeneidade é contra todo tipo de pluralidade. Eu acho que quem valoriza a pluralidade somos nós, eu, você (apontando para a equipe do Salto), os espectadores aí que estão assistindo ao nosso programa, mas o grande, o Big Brother que manda nessa história toda, eu acho que ele não gosta de pluralidade não.

Salto – O senhor acredita que a música popular brasileira retrata a pluralidade cultural do país?

Nei Lopes – Olha, existem duas músicas populares brasileiras, dois escaninhos de música popular brasileira. Existe a música popular brasileira que é espontânea, de criação popular mesmo e essa você vai encontrar onde? Nas produções independentes, nos centros mais afastados. E existe outra música imposta por essa indústria de que nós estamos falando, cujos porta-vozes são os meios de comunicação atrelados a essa indústria. A gente teve, dias atrás, a entrega de um prêmio, que é supostamente o prêmio mais importante da música popular brasileira, em que não houve nenhuma premiação para o gênero samba, houve para o hip hop, para o universo pop, mas no entanto, numa estratégia, aquela coisa do álibi, numa espécie de álibi, o que os organizadores do prêmio fizeram? Pegaram o Jamelão, o nosso grande José Bispo Clementino dos Santos, nosso grande mangueirense, botaram lá e fizeram um grande final da premiação com Jamelão, mais a Escola de Samba da mangueira. É sempre assim! Efetivamente o samba não tem nada a ver, não participa do mercado, isso na visão deles, mas aí como álibi, para não dizer que são anti-samba, ou antinacionais, o que que fazem? Pegam alguém que representa alguma coisa do samba e bota num “gran finale”, num oba-oba e etc e tal. Quer dizer, então o que a gente vê é isso. Apesar disso tudo, existe hoje uma produção musical independente muito forte, no Brasil inteiro. Existe uma rede natural e espontânea de troca de informações, a internet inclusive veio facilitar muito isso. Os artistas do samba estão trabalhando e muito bem, eu inclusive, em todo país, sempre sendo prestigiado, sempre sendo chamados, independente de qualquer coisa, Evidentemente que ninguém do samba, pelo menos o que eu conheça, à exceção de uns dois ou três, que merecidamente está lá no pódio, à exceção de um ou dois que a indústria cultural admitiu. Nenhum sambista está andando de BMW, tendo jatinhos, etc e tal... Mas, pelo menos, os que estão trabalhando estão conseguindo, como trabalhadores, ter uma remuneração condizente dentro dos padrões nacionais. Isso é importante, nós somos trabalhadores da música, não somos? Ninguém nasceu para ser “superstar”, ser “popstar”. Então, a gente tendo a remuneração condigna, tendo a possibilidade de cuidar direitinho da saúde, tendo a possibilidade de aos 62 anos ter essa aparência bonita, modéstia à parte, então tudo bem, está tudo certo, está tudo legal.

http://www.redebrasil.tv.br/salto/