sábado, 13 de novembro de 2010

O homem que grita

Premiado de Cannes 2010 tem exibição gratuita

Por Vanessa Teles

Quem estiver em Brasília na próxima terça-feira, dia 09 de novembro, poderá conferir a pré-estréia da produção cinematográfica Um homem que grita, do diretor africano Mahamat-Saleh Haroun. O filme de ficção foi vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2010 e está sendo aclamado pela crítica internacional.

Mahamat-Saleh Haroun, que nasceu em Abéché (Chade), conta a história dos que sofrem os horrores da guerra que há décadas assola aquele país do norte da África. O filme não aborda diretamente a guerra civil, centrando a trama no sexagenário Adam, ex-campeão de natação e funcionário numa piscina de um hotel de luxo no Chade.

Quando investidores chineses compram o hotel, Adam é instado a deixar a vaga para o filho. Ele não gosta da situação, que considera um declínio social. Em meio ao caos civil, o governo pede para a população enviar dinheiro para reforçar a luta contra os rebeldes, ou uma criança com idade de combater.

O líder do bairro pede para Adam a sua contribuição, mas Adam ele tem dinheiro. Só tem um filho...

DEBATE - Presentes ao pré-lançamento o Embaixador da França no Brasil, Yves Saint-Geours; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo; e o diretor de Um homem que grita, Mahamat-Saleh Haroun, participarão de um debate com os presentes, após a exibição da película.

"É neste clima de medo do futuro que tentei captar Um homem que grita. Quando se vê o mundo desabar em volta, quando as referências estão turvas, quando a pressão política e social é forte demais, acabamos em perder pé? (Mahamat-Saleh Haroun).

SERVIÇO
O quê: Pré-estréia do filme Um Homem que Grita, debate com diretor e coquetel.
Quando: 9 de novembro de 2010, às 19h.
Onde: Sala Le Corbusier, na Embaixada da França no Brasil - SES Qd 801, Lote 04
Quanto: Entrada franca

Não se esqueça de confirmar a presença pelo telefones (61) 3222-3878 ou (61) 3222-3871.

Clique aqui para acessar um trailer do filme: http://www.bonfilm.com.br/umhomemquegrita

Extraído da Fundação Palmares

TRAMPOLIM DO FORTE / COMENTÁRIO

Infância brasileira em perigo


A sala de cinema acomodou cerca de 100 pessoas durante a exibição de Trampolim do Forte

Daiane Souza

Na data em que se celebra o Dia Nacional da Cultura Negra, cerca de 100 pessoas assistiram ao filme Trampolim do Forte, dirigido por João Rodrigo Mattos. A exibição foi parte da programação do seminário Qual é a face negra da mídia?, promovido pela Fundação Cultural Palmares, que aconteceu nesta sexta-feira, 5 de novembro, no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília.

Produzido em Salvador, a capital mais negra do País, o longa-metragem retrata dramas sociais vividos por crianças e adolescentes, tais como exploração sexual, tráfico de drogas, pedofilia, preconceito, trabalho infantil delinqüência... E para João Rodrigo Mattos, não se trata apenas de uma construção cinematográfica, mas de um registro da infância brasileira na primeira década do século XXI.

ATORES MIRINS - Adailson Dias dos Santos, 14 anos, e Everton Wallace Machado Costa, 16, são atores do filme. Adailson, que interpretou o personagem Felizardo, conta que a atuação foi sua primeira experiência como ator e que mudou sua visão em relação ao local onde mora: "Cada uma das cenas me marcou muito, porque de muita coisa eu não sabia e porque mesmo sendo filme, é real".

No papel, Adailson é um garoto trabalhador que se sente explorado pela mãe, já que esta não usa o dinheiro conquistado para garantir o bem-estar da família. Já o personagem Fuleirinho, interpretado por Everton, vítima da sociedade, rouba para satisfazer as necessidades e usa Felizardo como uma espécie de "laranja do crime": inclui o garoto no universo da marginalidade, escondendo as carteiras que rouba no isopor que o amigo usa para vender picolés.

Everton compara o cotidiano do filme à comunidade onde vive. "Tudo o que acontece na história é o que acontece todos os dias na Barra. A polícia intimidando, a prostituição, o tráfico", conta. "Isso acontece porque o Estado ainda é muito cômodo. Enquanto as pessoas não lutarem, tudo vai continuar o mesmo", completa.

Para o diretor João Rodrigo Mattos, sua obra é uma oportunidade para que a sociedade reflita sobre os riscos a que as gerações mais jovens estão expostas. "Em dez anos, poderemos rever o filme e perguntar se algo mudou", provoca.

Trampolim lúdico ______________________________________________________

Denise Porfírio

Trampolim do Forte é uma obra de ficção de características marcantes da maravilhosa fábrica de filmes do Nordeste do País. A cultura, a história, a arquitetura, os hábitos e a geografia de Salvador são importantes elementos narrativos do enredo.

Menos produto de entretenimento e mais instrumento de consciência social, o roteiro, apesar de lúdico, aborda temas que provocam diálogo com o público por meio de uma reflexão sobre os ideais da infância no Brasil.

Baseado em experiências reais e protagonizado por crianças, a obra investe na idéia do cinema transformador de conceitos e atitudes em ações positivas para o espectador. Fruto de um jovem diretor, João Rodrigo de Matos, o trabalho reafirma a importância da produção cinematográfica sobre a cultura afro-descendente no País.

A obra, pelos expectadores:

"Gostei bastante do filme, porque mostra um pedaço do Brasil que está fora do eixo Rio/São Paulo" (Paulo Vítor, 25 anos).

"O filme é maravilhoso, por mostrar, de maneira sutil, a exploração que tanta gente ignora, ou faz que não vê" (Maria Gabriele, 13 anos).


Extraído da Fundação Palmares

As faces negras das mídias

Mesa de debates: Juliana Nunes (E), João Acaiabe, Jeferson De, João Rodrigo Mattos, Zulu Araújo,
Newton Canitto, Joel Zito Araújo, Chica Xavier e Pola Ribeiro.

Por Joceline Gomes

Grandes personalidades da arte e da cultura brasileiras participaram da abertura do seminário "Qual é a face negra da mídia?", que abriu a programação comemorativa do Dia Nacional da Cultura (05-11), no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. O debate, mediado pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, tocou em questões sociais polêmicas, motivando o público, que participou ativamente das atividades.

À mesa de abertura sentaram-se o roteirista e secretário de audiovisual do Ministério da Cultura, Newton Canitto; os cineastas Pola Ribeiro, João Rodrigo Mattos, Jeferson De e Joel Zito Araújo; o ator João Acaiabe e a coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), jornalista Juliana Cézar Nunes. A presença ilustre da atriz Chica Xavier fez Zulu Araújo quebrar o protocolo e convidá-la a participar da mesa, devido à sua relevante participação no processo de construção da cidadania negra.

As discussões acaloradas contaram com perguntas e contribuições do público, em meio aos depoimentos dos convidados, que deveriam, com sua trajetória pessoal e profissional, responder à provocação do título do seminário: "Qual é a face negra da mídia?" Após o seminário, foi servido um típico almoço afro-brasileiro, seguido de filmes igualmente nacionais e de novos debates. Confira, abaixo, algumas opiniões dos participantes do seminário.

"É com a diversidade que apresentamos aqui na mesa deste seminário que precisamos militar e nos manifestar contra o racismo na mídia. Somente assim poderemos ter um país substantivamente democrático." (Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares).

"Hoje, nessa mesa, e em outras ações culturais e educacionais de que participo, me sinto fazendo alguma coisa, plantando na terra que deveria ser de Zumbi" (Chica Xavier, atriz, agradecendo a participação na primeira fala do seminário).

"Não podemos ser como os europeus e americanos, que ´toleram´ a diversidade. Devemos preservar e valorizar essa diversidade, característica do nosso País". (Newton Guimarães Cannito, secretário de audiovisual do Ministério da Cultura).

"A face negra da mídia é a mídia mais alternativa, produzida com esforço por grupos políticos e culturais diferenciados, que conseguem se posicionar com mais diversidade e verdade, falando ´eu sou assim, e assim eu me posiciono´ " (Pola Ribeiro, cineasta e diretor da TVE Bahia).

"É um erro estratégico fazer essa separação na mídia: de roteiristas negros escrevendo sobre negros. É importante que negros trabalhem com brancos, que não sejam produções isoladas" (Joel Zito Araújo, cineasta e pesquisador).

"A face negra da mídia é a face de quem está por trás das câmeras: roteiristas, produtores, diretores, etc. Não vou falar para brancos pararem de produzir. Eu apenas quero ter o direito de produzir também e de ser visto" (Jéferson De, cineasta).

"A face negra da mídia tem dois lados: o positivo, da alta produção sobre a questão racial; e o negativo, do preconceito velado, da discriminação na grande mídia, que ainda é controlada por interesses pessoais e comerciais e não discutem elementos contra o racismo" (João Rodrigo Mattos, cineasta).

"Fiz participações em filmes de diretores negros, mas qual a oportunidade que esses diretores têm de fazer filmes? Não adianta só conversar com professores ou com pessoas engajadas. É uma atmosfera que precisa ser criada contra o racismo na mídia" (João Acaiabe, ator).

"Precisamos combater o racismo que existe nas redações dos jornais e revistas, que se reflete nas pautas e nas fotografias. O número de jornalistas negros e de fotografias de negros em contextos diferenciados é ínfimo [...]. Precisamos exigir uma política de igualdade racial nas empresas de comunicação" (Juliana Cezar Nunes, coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação - EBC).

Extraído da Fundação Palmares

Mostra de fotografia

Cultura afro-colombiana em Brasília


Para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, a Fundação Acua (Colômbia), a Fundação Essamba Home e a Fundação Cultural Palmares uniram-se para trazer ao Brasil a mostra Herança Africana: Retratos das mulheres africanas e afro-colombianas, da fotógrafa camaronesa Angèle Etoundi Essamba. O vernissage será dia 11 de novembro próximo, no Espaço Cultural Zumbi dos Palmares da Câmara dos Deputados (Brasília/DF).

Este grandioso registro fotográfico quebra estereótipos e exalta a mulher negra em suas diversas possibilidades: "alma da família", empresária, independente, bela e orgulhosa de si. As imagens de Angèle Etoundi Essamba refletem com maestria o contrapeso da simplicidade e da sensibilidade com a força e o poder dessas mulheres em suas atividades cotidianas.

Uma explosão de cores e formas retrata a harmonia das afro-colombianas com a natureza. Crianças, olhares, objetos, texturas; mulheres sérias, descontraídas, cansadas, trabalhando, em grupo... Tudo vira fonte de contemplação das lentes de Essamba, que capta o invisível aos olhos comuns para mostrar ao mundo a contribuição cultural e histórica dos negros africanos na América Latina.

A exposição visa resgatar essa herança, que é compartilhada pelos países latinos, com um olhar esteticamente renovado. Sua estreia em meio às celebrações do Mês da Consciência Negra não poderia ser mais emblemática e oportuna, pois a eloquência das imagens de Essamba reforça a necessidade de se descondicionar o olhar brasileiro sobre a história de sua população negra.

A FOTÓGRAFA _______________________________________________________________

A aclamada fotógrafa Angèle Etoundi Essamba nasceu em Duala, Camarões, mas mudou-se para Paris aos dez anos de idade. Estudou na Escola Profissional Holandesa de Fotografia, em Haia, e mantém uma oficina em Amsterdam. Entre as exposições de maior destaque, pode-se citar a Bienal de Havana (1994), a Bienal da África do Sul, em Johannesburgo (1995), a mostra Fest dês 3 Continents, em Nantes, França (1996), Dak´ART, no Senegal (2000 e 2002) e a Bienal de Bamako, em Malí (2001).

A FUNDAÇÃO PALMARES ______________________________________________________

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem a finalidade de promover e preservar a cultura afro-brasileira. Preocupada com a igualdade racial e com a valorização das manifestações culturais de matriz africana, a Palmares formula e implanta políticas públicas para potencializar a participação da população negra no processo de desenvolvimento do País.

SERVIÇO
O quê: Exposição Herança africana: Retratos das mulheres africanas e afro-colombianas, da fotógrafa Angèle Etoundi Essamba
Quando: 11 de novembro a 02 de dezembro
Onde: Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara dos Deputados (Edifício principal)
Endereço: Praça dos Três Poderes, Brasília-DF.
Quanto: Entrada franca


Extraído da Fundação Palmares

Documentário sobre Pierre Verger

Boa pedida para ver e ouvir é o documentário Pierre Verger: O Mensageiro entre dois mundos, dirigido por Lula Buarque de Holanda que conta a trajetória do fotografo e etnógrafo Pierre Verger. Este documentário trata da ligação entre África e Brasil nos trabalhos de Verger, nele o fotografo é percebido com mensageiro entre os dois continentes pelo incentivo ao intercambio cultural, principalmente em relação ao candomblé. Ele revela em sua fotografias e textos, as semelhanças ritualísticas entre os povos dos dois continentes.
A narrativa é feita por Gilberto Gil, que faz um bom trabalho, principalmente por sua relação com o candomblé, o que favorece a condução do documentário. Gil entrevista personagens que vão desvendando pouco a pouco a relevância de Verger no entendimento e interpretação da cultura brasileira de matriz africana.
Em sala de aula o filme pode servir para incentivar um debate sobre a construção da identidade afro- brasileira, e principalmente afro- baiana, através da percepção religiosidade entendida como resistência.

domingo, 7 de novembro de 2010

A LENDA DO MACULELÊ



(O Maculelê é uma dança de bastões brasileira que tem provável origem Afro-indígena, pois, foi trazida das etnias africanas congo-angolanas(há sugestões de que tenham sido os cucumbis) para cá, sendo mesclada com alguns elementos da cultura dos índios brasileiros (supostamente os aimorés) que aqui já viviam. É comum no interior da Bahia e do Rio de Janeiro.


—Entre os povos africanos há um personagem muito importante: é o Griôt ou contador de história. Os Griôts contam as histórias do povo africano para manter vivo o conhecimento e valorizar a ancestralidade pela cultura oral.

—Toda vez que os Griôts começam suas histórias eles pedem emprestadas as orelhas do ouvintes guardando-as no coração, e falam uma palavra mágica que significa... ERA UMA VEZ... como nós faremos agora. Vocês emprestam suas orelhas? Então vamos lá: KARINGANA UA KARINGANA...


A LENDA DO MACULELÊ

—Um grupo de africanos da etnia cucumbis foram escravizados na África e trazidos para o Brasil para trabalharem nas fazendas brasileiras cultivando a cana-de-açúcar.

—Os povos cucumbis eram mestres na arte da dança guerreira com bastões. Eles sempre ensinaram aos seus filhos esta arte desde muito cedo.

—Numa das fazendas de cana-de-açúcar do interior da Bahia, um casal africano teve um filho ao qual deram o nome de MACULELÊ.

—Maculelê tinha uma doença na pele que o deixava triste, envergonhado e isolado.

—Um dia, quando Maculelê fez 7 anos de idade, ele resolveu fugir da fazenda e se esconder na floresta onde ninguém pudesse vê-lo. Seus pais e amigos procuram por ele, mas, não o encontraram.

— Depois de uma semana, os índios aymorés que moravam naquela floresta encontraram o Maculelê e ficaram preocupados com o problema do menino, pois, para os índios há duas coisa muito importantes no mundo:

— Em primeiro lugar Deus, que está em toda a natureza! Em segundo lugar as crianças, porque elas são os tesouros do mundo!

— Então, os índios convidaram Maculelê para ir morar na aldeia deles dizendo que o Pajé (curandeiro deles), poderia tentar cura-lo com suas plantas e ervas.

—Só que Maculelê não queria ser visto por ninguém e não aceitou ir para a aldeia no começo.

—Então, o cacique dos índios fez um trato com Maculelê: que ele iria para a aldeia de noite, direto para a oca do pajé, ficaria escondido lá, e ninguém entraria nesta oca, somente o pajé que iria cuidar dele, e assim ninguém mais o veria como ele queria.

— Maculelê aceitou a proposta, e viveu na oca do pajé por muitos anos.

— Num dia de sol, os guerreiros da aldeia saíram pra caçar e pescar e só as mulheres e as crianças ficaram. Daí vieram alguns índios de uma tribo rival para atacar a aldeia.

— Maculelê que já estava um rapaz, ouviu as mulheres e crianças gritando, e foi acudi-las. Ele pegou dois bambus que estavam na oca do pajé e saiu para guerrear com os batões nas mãos.

— Maculelê tinha aprendido a luta dos bastões com seus pais africanos. Ele lutou com os índios rivais que não conheciam aquela luta e venceu!

— Quando os índios aimorés voltaram da caçada souberam do acontecido e foram saudar e agradecer a valentia e a proeza de Maculelê.

— Só então Maculelê ficou sabendo que estava curado de sua doença de pele, e também agradeceu ao pajé.

— A tribo dos aimorés fizeram uma festa para celebrar a vitória e a vida. Eles também pediram ao Maculelê para ensinar aquela luta de bastões; daí então, juntaram os movimentos guerreiros dos africanos cucumbis com as danças indígenas brasileiras e a esta nova dança deram o nome de: MACULELÊ!!!

MACULELÊ=Palavra do idioma quicongo makélelè que significa Barulho, algazarra, vozeria.

*Lenda Recolhida através da Cultura oral brasileira; adaptação da professora Denise Guerra.

Extraído integralmente do blog AfroCorporeidade

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O mês da consciencia negra

Olá caros amigos,neste mês de novembro comemoramos, no dia 20, o dia da consciência negra, data importante para trabalharmos com os nossos alunos em sala de aula, segue no blog dois textos sobre esta questão um sobre Zumbi e outro sobre a história do dia da consciência negra. È muito importante despertar nos alunos o orgulho e reconhecimento dos heróis negros brasileiros, entender o contexto de suas vidas e suas lutas cotidianas. A existência e resistência do quilombo de Palmares é realmente um marco, um feito histórico importante e que não deve ser esquecido. Vamos lá professores mãos á obra!



Andrea Guanais

Quem foi Zumbi

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

extraido integralmente do site http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/zumbi_dos_palmares.htm

Dia da consciência negra

História do Dia Nacional da Consciência Negra

Esta data foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Importância da Data

A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.

Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.


extraído integralmente do site
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_consciencia_negra.htm

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Inscrições abertas para o I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades - BA


De 25 a 27 de novembro de 2010 acontecerá em Salvador/BA o I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades – Gênero, Raça e Educação nos Países da Diáspora depois de Durban, que tem como tema a intersecção de gênero-raça no contexto educacional do Brasil, Nigéria e Filadelfia. Estarão reunidas 500 pessoas, entre convidados nacionais e internacionais, ativistas, estudantes, professoras(es) da Rede Municipal de Educação de Salvador e público em geral.
O objetivo do evento é favorecer, fortalecer, estimular o intercâmbio de experiências educacionais voltadas para a superação do racismo, sexismo, homofobia e outras formas de discriminação, tendo em vista influenciar a criação de políticas voltadas para a garantia da igualdade racial e de gênero. Acontecerão conferências, mesas redondas, grupos de trabalho, mini-cursos, oficinas e atividades culturais, onde especialistas compatilharão saberes e práticas vivenciados em seus contextos educacionais. O I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades - FIEDI será realizado nas dependências do Hotel Pestana (Rio Vermelho).

Site do evento: http://www.fiedi.com.br/

Seminário

IV Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo - SC

Organizado pelo NEAB/UDESC, entre os dias 10 e 12 de novembro de 2010 nas dependências da UDESC (Campus 1 - Itacorubi - Florianópolis/SC)

Apresentação
O IV Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo acontecerá entre os dias 10 e 12 de novembro de 2010 nas dependências do Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Integrado à programação do evento teremos a realização do II Seminário Internacional Áfricas: Historiografia Africana e Ensino de História e o II Seminário Memória e Experiência: elementos de formação da Capoeira Angola.
O seminário tem como objetivo ser um espaço de divulgação, discussão, apresentação, avaliação e debate sobre ações e propostas em prol das relações etnicorraciais na educação em sintonia com as políticas públicas. Assim, o intuito central é possibilitar que o IV Seminário coloque em discussão os desafios e as novas perspectivas para se pesquisar e produzir conhecimento em ciências sociais e humanas, no campo da história e da educação, referente à educação das relações raciais, aos estudos de diáspora africana e história da África, incorporando novas discussões no âmbito do que se tem produzido e disseminado sobre as populações de origem africana.


Confira no site a relação dos Trabalhos Aprovados e também o link para Inscrição de Monitoria do evento.


As inscrições para ouvinte estão abertas e são gratuitas.


Programação atualizada
Dia 10/11/2010

Manhã

8:00 às 10:00 - credenciamento
10:00 às 12:00 mesa – redonda I: Lei Federal 10.639/03: Plano Nacional de implementação
Paulino de Jesus Francisco Cardoso (UDESC) - Expõe e Coordena
Wilma de Nazaré Baia Coelho (UFPA)
Valter Roberto Silvério (NEAB-UFSCar)

12:00 - Roda de Capoeira sob coordenação do mestre Nô

Tarde
13:00 às 16:00 - Mesas de comunicação coordenada
16:30 às 18:00 Conferência1: Multiculturalismo, Globalização e Educação
Severino Ngoenha (Universidade de Lousanne – Suíça)
18:00 às 18:30 - Coffee Break
18:00 às 19:00 - Conferência 2 - Memória e Experiência: contrapontos à colonialidade do saber
Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô) e coordenação do professor Msc. Leandro de Oliveira Acordi

Noite

19:00 - Apresentação Cultural Teatro "Coisa de Negão"
19:30 - Solenidade de Abertura
20:00 às 21:00 Conferência 3: Diáspora e Pós-Colonialismo
Francisco López Segrera (Universidade Politécnica da Cataluña - UPC)

Dia 11/11/2010

Manhã
8:30 às 10:30 - Mesa Redonda: Educação Multicultural
Fernando Burrows (Universidade Católica do Chile)
Rachel de Oliveira (UESC)
José Nilton de Almeida
Marilise Luiza Martins dos Reis (UDESC) - Expõe e Coordena

10:45 às 12:00 – Mesa redonda 1: Ensino de História da África
Selma Pantoja (UnB)
Denílson Lessa (UNEB)
Cláudia Mortari (UDESC) - Expõe e Coordena
Sílvio Marcus Corrêa (UFSC)

10:45 às 12:00 - Mesa redonda 2 (Firmina): Pós-colonialidade: discutindo representações
Cláudia Rocha (UNEB)
Otto Agra Figueiredo (UEFS)
Patricia Pena (IFBA)
Ivanilde Guedes de Mattos (UEFS)
Wilson Roberto de Mattos (UNEB)

12:00 às 13:30 - Oficina Memória e Experiência: diversidade na capoeira
Mestra Elma Weba e Rosângela C. Araújo (Mestra Janja)

Tarde

12:30 às 13:00 - Apresentação de pôsteres
13:00 às 17:00 - Mesas de comunicação coordenada
17:00 às 19:00 - Mesa redonda: Gênero, corporeidade e sexualidade nas relações etnicorraciais
Jimena Furlani (Universidade do Estado de Santa Catarina- UDESC) - Expõe e Coordena
Ana Cláudia Lemos Pacheco (UESB)
Elizeu Clementino de Souza (UNEB)

17:00 às 19:00 - Mesa redonda: Artes e Expressões de Comunicação
Amaílton Azevedo (PUC-SP)
Larissa Bélle (UNIPLAC)
Nirlene Nepomuceno (CECAFRO/SP)

Noite

19:00 às 19:30 - Mostra de Vídeo curta metragem

19:00 às 20:00 - Lançamento do vídeo documentário "Mestre Nô: um grande mestre na roda e na vida"
Lançamento da Coleção África-Brasil organizada pelo NEAB/UDESC
Lançamento do Livro "Caixa de Surpresa" da autoria da profa. Maria do Carmo Ferreira da Costa, Editora Nandyala
Lançamento do Livro "Estética Afirmativa: Corpo Negro e Educação" de autoria da profa. Ivanilde Guedes de Mattos. Salvador: EDUNEB, 2009.

20:00 às 21:30 Conferência 4: Historiografia Africana na Contemporaneidade
Isabel de Castro Henriques (Universidade de Lisboa- UL)

20:00 às 21:30 - Mesa redonda: Identidades e diversidade na capoeira
Mestra Elma Weba
Rosângela C. Araújo (Mestra Janja)
Cristian Muleka Mwewa
Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô)

Dia 12/11/2010
Manhã

8:00 ao 12:00 – mini-cursos/oficinas

Tarde

14:00 às 16:00 - Mesa redonda: Descolonialidade e Afro Diáspora
Wilson Roberto de Mattos (UNEB)
Maria Antonieta Antonacci (PUC-SP)
Acácio Almeida dos Santos (Casa das Áfricas)
Willian Robson Soares Lucindo (NEAB/UDESC) - Coordenador

14:00 às 16:00 - Mesa redonda: Literatura Africana e da Diáspora
Íris Amâncio (UFF)
Maria do Carmo Ferreira da Costa
Júlio César da Rosa (NEAB/UDESC) - Coordenador

16:00 às 18:00 – Mesa Redonda: Novos paradigmas na educação:
Relações étnicorraciais e educação e diversidade: uma abordagem necessária.
Maria Lúcia Müller (UFMT)
Vânia Beatriz Monteiro (UFSC)
Neli Góes Ribeiro (UDESC)
Virgínia Ferreira Boff (NEAB/UDESC) - Coordenadora
Noite

18:30 às 19:30- Conferência 5: Plano Nacional de Implementação da Lei Federal 10.639/03
Martius Antonio Chagas (Subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR)
19:30 às 20:00 - Apresentação Cultural e encerramento.

Dia 13/11/2010**

Local: Sede da Associação Cultural Ilha de Palmares (Fortaleza da Barra da Lagoa)
09:30 às 12:00 - instrumentação na capoeira - Norival Moreira de Oliveira (Mestre Nô)
15:00 às 18:30 - instrumentação no samba de roda - Mestre Nô/Contramestre Gerry Costa

Dia 14/11/2010**

Local: Barra da Lagoa
11:00 - Encerramento com Roda de Capoeira e Samba de Roda (se chover, o encerramento será realizado na Sede da Associação Cultural Ilha de Palmares).
*A programação está sujeita a alterações.
** Estas datas de 13/11 e 14/11 referem-se apenas a atividades do II Seminário Memória e Experiência: Elementos de formação da Capoeira Angola.


Àfrica e seus mapas

Eu recomendo que vocês dêem uma olhada no site http://www.afriterra.org/MapImages/index.html, lá encontraram mapas da África antigos e poderiam notar a diferença entre estes e o mapa actual, com suas divisões recortadas quase que á régua. É interessante propor um trabalho com os alunos de perceber estas diferenças estudando a historia da África, principalmente a questão da partilha da África pelos europeus no século XIX.Tem vários mapas no site, mas um , em particular, me interessou; foi o mercator 1607, lá tem o mapa de toda a África com suas fronteiras naturais e povos, tem ainda a opção de zoom em todos os mapas.Vale a pena conferir, site está na minha lista de links legais, é só clicar e entrar!

sábado, 30 de outubro de 2010

Orúko - Memórias e Heranças Negras


14/10/2010

De 3 a 5 de novembro de 2010, a Secretaria da Educação – SEC/BA, através do Instituto Anísio Teixeira – IAT, se une às celebrações do Mês da Consciência Negra e realiza o Orúko - Memórias e Heranças Negras – evento com diversas atividades que trazem à tona as discussões sobre a identidade africana e afro-brasileira e sua memória de luta pela igualdade. A iniciativa, voltada para professores e alunos da rede pública de enisno, conta com a parceria do Ministério Público da Bahia – MP/BA e da Coordenação de Educação para as Relações Etnicorraciais e Diversidade da SEC/BA.

De origem iorubá (ou yorùbá, idioma de origem africana), orúko significa uma pergunta muito comum: qual é o seu nome? Mas, no Mês da Consciência Negra, o questionamento impacta uma resposta de relevância social. Segundo Josemara Souza, representante da equipe organizadora do evento, o Orúko é um chamado para a aceitação e a valorização da identidade negra. É a auto-afirmação de toda a contribuição cultural e científica que mulheres e homens negros têm produzido na Bahia, no Brasil e no mundo, mas que ainda são pouco divulgadas e reconhecidas pela sociedade.

“Normalmente, a imagem dos negros é estereotipada pelo apelo ao exótico. Temos o legado de beleza, dança, religião e música, mas também temos a literatura, a ciência, a produção intelectual. Obras que precisam sair do gueto, serem fortalecidas, divulgadas e reconhecidas amplamente”, explica Josemara, que cita exemplos como Milton Santos, Manuel Querino, Mãe Stella de Oxossi e a primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois.

Orúko Memórias e Heranças Negras integra as diversas ações formativas da SEC/IAT que objetivam fomentar na rede pública de ensino o debate sobre a importância da cultura do povo negro na história brasileira. Mais uma iniciativa que discute questões pertinentes à aplicação das leis federais nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que incluem no currículo oficial da Educação Básica a obrigatoriedade das temáticas "História e Cultura Afro-Brasileira" e “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, respectivamente.

Um dos destaques do evento é a proposta de compartilhar os conhecimentos de pesquisas etnográficas com enfoque no acervo literário afro-brasileiro. As atividades objetivam expor o cenário da África transplantada à Bahia e a sua relação histórica e social com o patrimônio imaterial baiano; a apresentação dos autores da literatura africana que se dedicam à valorização da memória social de culturas africanas; além da interpretação de contos afro-brasileiros para conhecer o contexto sociocultural e a dinâmica pedagógica do legado africano do Brasil.

Os trabalhos ainda conduzirão o público a descobrir, nos signos linguísticos do português brasileiro, os “aportes” e “decalques” africanos presentes em contos afro-brasileiros e discursos cotidianos do baiano. A perspectiva é identificar possíveis enfoques temáticos nos textos da literatura africana do Brasil, visando a transformação do currículo etnocêntrico europeu em um currículo de valorização da diversidade cultural.

Para isso, a programação conta com realização de mesa-redonda para debate, oficinas pedagógicas de linguagem cênica com recriação de contos afro-brasileiros e videoconferência sobre estratégias para implementação das leis 10.639/03/ e 11.645/08 nas escolas. Também serão apresentadas as experiências das escolas públicas estaduais que foram beneficiadas com projetos realizados por professores da rede, participantes do curso de história e cultura africana e afrobrasileira - Agora a História é outra, oferecido pela SEC/IAT. O público poderá apreciar ainda a exposição de fotos das ações e projetos desenvolvidos pela Coordenação de Educação para as Relações Etnicorraciais e Diversidade da SEC/BA e pelas escolas públicas participantes.

Programação

03 de novembro de 2010
8h30 às 12h
Oficina Pedagógica de Linguagem Cênica com recriação de Contos Afro-Brasileiros
Profa. Janice Nicole
13h30 às 17h30
Oficina Pedagógica de Linguagem Cênica com recriação de Contos Afro-Brasileiros
Profa. Janice Nicole

04 de novembro de 2010
8h30
Apresentação cultural
8h50 às 12h
Videoconferência: Disciplinar ou Transversalizar? Metodologias para implementação da Lei 10.639/03/11.6645/08 no currículo
12h às 14h
Almoço
14h às 17h30
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual

05 de novembro de 2010
8h30
Apresentação cultural
9h às 12h
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual
12h às 14h
Almoço
14h às 17h30
Apresentação das ações exitosas sobre a implementação da Lei 10.639/03 por escolas da rede estadual

Exibição de filmes temáticos referentes à superação do preconceito étnico e cultural com referência a origem africana

Horários: 12:00 às 13:30
Local: Auditório
Dias: toda quinta -feira, de 4/11 a 25/11

Obs: Teremos lanche pela manhã e tarde, e almoço nos dois dias.

Local: Instituto Anísio Teixeira (Estrada das Muriçocas, s/n, Paralela, Salvador- BA)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Samba por Nei Lopes

Na pluralidade do samba


Nome: Nei Lopes

Formação: Autor e intérprete de música popular. Pesquisador do samba e do choro, escritor, militante desde a juventude no movimento negro brasileiro.

Obra: Em seu legado para a cultura brasileira incluem-se as composições como Gostoso Veneno, Coisa da Antiga, Senhora Liberdade, Goiabada Cascão e Samba de Irajá. Atualmente, além do seu trabalho com o Samba, trabalha na elaboração da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, sobre verbetes do universo do Samba e do Choro.


Olha, eu tenho todo um campo de reflexão sobre a participação do elemento africano e afro-descendente na cultura brasileira. Então, evidentemente, que eu teria que passar pelo samba, que é o segmento mais visível em termos da musicalidade brasileira, é o segmento mais visível dessa participação. Então, eu tenho estudado, ao longo dos anos, a questão do samba, a questão das escolas de samba. Só que, em relação às escolas de samba, como é um fenômeno, no meu entender, já absolutamente comprometido com a indústria cultural, já extrapolou os limites da criação popular, então, eu já abandono um pouco as minhas reflexões sobre a escola de samba. Prefiro me centrar hoje no samba enquanto gênero de música popular brasileira, enquanto matriz da grande música que se faz nesse país.


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Entrevista com Nei Lopes

Salto – Há quanto tempo você tem se dedicado à música, como cantor e compositor?

Nei Lopes – Olha, eu tenho uma carreira profissional iniciada em 1972, já se vão 32 anos. Então, eu acho que são três décadas dedicadas à cultura popular brasileira em duas vertentes: na vertente do compositor, de criador e na vertente de crítico, pessoa que procura refletir sobre a realidade da música brasileira. Vou falar sobre a primeira: refletir sobre a realidade da música brasileira. A primeira gravação minha como compositor profissional foi em 1972 e a primeira reflexão publicada foi em 1981, num livro em que eu, exatamente, procurava analisar questões envolvendo basicamente as escolas de samba do Rio de Janeiro e fazendo até um certo exercício de futurologia com relação às coisas que estão acontecendo hoje, isso em 1981. É uma caminhada.

Salto – E essas coisas estão acontecendo?

Nei Lopes – Estão acontecendo, a minha reflexão primeira foi em cima da questão das escolas de samba que sofreram uma transformação muito grande, a partir de meados da década de 70. E as transformações se refletiram, exatamente, num privilégio do espetáculo em detrimento do fazer cultural, propriamente dito. Quero dizer, a questão do mercado, a questão da indústria sobrepujou a questão da criação coletiva, no meu modesto julgamento. Isso em termos de escola de samba, que é uma coisa, o samba é outra coisa diferente, são duas instituições que, em certo momento histórico, se cruzam, mas são duas coisas diferentes e eu procuro enfatizar a diferença entre uma coisa e outra. Quando a escola de samba foi criada no Rio de Janeiro, a Instituição Escola de Samba, na década de 20, o samba já existia há muitas décadas antes. Muito antes.

Salto – Como tem sido pesquisar a origem do samba?

Nei Lopes – Olha, eu tenho todo um campo de reflexão sobre a participação do elemento africano e afro-descendente na cultura brasileira. Então, evidentemente, que eu teria que passar pelo samba, que é o segmento mais visível em termos da musicalidade brasileira, é o segmento mais visível dessa participação. Então, eu tenho estudado, ao longo dos anos, a questão do samba, a questão das escolas de samba. Só que, em relação às escolas de samba, como é um fenômeno, no meu entender, já absolutamente comprometido com a indústria cultural, já extrapolou os limites da criação popular, então, eu já abandono um pouco as minhas reflexões sobre a escola de samba. Prefiro me centrar hoje no samba enquanto gênero de música popular brasileira, enquanto matriz da grande música que se faz nesse país.

Salto – Essa pesquisa tem contribuído para o Nei Lopes artista, que canta, que compõe?

Nei Lopes – Esse trabalho, esse estudo tem me embasado no sentido de me fortalecer cada vez mais nas minhas convicções. Eu tenho uma percepção clara de que existe toda uma estratégia internacional hoje, da indústria cultural, no sentido de pasteurizar, no sentido de nivelar, no sentido de desnacionalizar a música em nível planetário. Criou-se um padrão musical que interessa ao mercado, esse padrão é imposto em todos os países, em todos os quadrantes do planeta Terra. Então, esse conhecimento, essa consciência me embasa para procurar fazer um samba, uma música popular brasileira que seja, cada vez mais, resistente a essa estratégia, e é isso que eu tenho feito ao longo dos anos. Quer dizer, há todo um contexto que é contrário a essa afirmação da nacionalidade, da música popular brasileira contra o qual eu me insurjo. E como é que eu me insurjo? Me insurjo fazendo uma música que procure ser, cada vez mais brasileira, cada vez mais peculiar e, cada vez mais múltipla, é isso que eu procuro fazer.

Salto – O senhor acredita que o samba ainda é visto de maneira preconceituosa?

Nei Lopes – Absolutamente, completamente preconceituosa. O samba é sempre associado, primeiro por suas origens negras, o samba é sempre associado à escravidão, associado à pobreza, é associado à favelização, associado à criminalidade, e essa é a grande estratégia que é usada pela indústria cultural globalizante, no sentido de colocar o samba numa condição subalterna sempre. E é também uma estratégia que compõe todo esse complexo de dominação e de colonização cultural. Uma das estratégias também é taxar o samba como uma coisa imóvel, como uma coisa velha, como uma coisa que não se renova. Eu escrevi um livro, há uns dois anos, chamado Samba b – a – ba, o samba que não se aprende na escola. Esse livro mereceu oito páginas de uma revista elegante, uma revista finíssima que é editada em São Paulo, editada, inclusive com muito patrocínio do Governo. Então, é uma revista muito bonita, de altíssimo nível, ela tem papel couchê, custa caríssimo nas bancas... Essa revista se ocupou do meu livro, num artigo altamente tendencioso, usou 8 páginas para falar do meu livro, acusando o livro de coisas: que o livro era passadista, era reacionário. O título da chamada de capa dessa crítica, veja bem, dizia assim: “Nei Lopes – O samba em formol”. Eu absolutamente não advogo que o samba tenha que ficar “museificado”, tenha que ficou imóvel, nada disso, eu sou uma das pessoas que mais propugnam pela visibilidade, pela diversidade, pela multiplicidade do samba. Agora mesmo, estamos aqui no estúdio, estou concluindo mais uma produção, mais um disco meu, um disco em que eu procuro evidenciar essa diversidade, por exemplo. É um disco de samba com algumas informações afro-cubanas, porque eu acho que os universos do samba são irmãos. São muito semelhantes, são duas coisas que se cruzam a todo momento, o que não acontece, por exemplo, com a música afro norte-americana, em relação à brasileira. Os negros americanos não usaram tambor, foram historicamente despossuídos do tambor pela colonização, pela evangelização dos protestantes. Enquanto que os negros da América-hispânica, da América portuguesa, como, nós, usaram sempre o tambor. Então, você pega a música de Cuba, a música de Porto Rico, a música da República Dominicana, a música do Haiti, até o próprio Prata, do Uruguai até a Argentina, há uma similitude entre essas músicas, porque elas têm origens comuns, a origem na grande civilização Banto, lá do Congo, Angola e adjacências, o que não ocorre com a música dos Estados Unidos. Então, você pega um samba e o associa com a música afro-hispânico, a música centro-americana, é absolutamente coerente, não é colonização, nem coisa nenhuma. Você está promovendo o encontro entre parentes que foram, de uma certa forma, dispersos pela escravidão e etc. e tal. Então, eu procuro no meu trabalho, sempre que posso, chamar o samba para essas associações e exatamente por isso. Para mostrar que o samba é plurifacetado, o samba é um gênero musical altamente rico, não é velho, porque ele se renova a cada momento, desde o primeiro samba, registrado como samba, que foi “Pelo telefone”, a gente observa que, a cada década, há uma renovação da expressão dessa pluralidade do samba, que também está vivo até hoje por causa disso. E, às vezes, até é meio difícil perceber essa diversidade, inclusive em sub-gêneros, que às vezes são mostrados como gênero, como por exemplo, a Bossa Nova, é um samba, é uma forma de fazer samba. O choro como forma instrumental de se tocar o samba, o chamado sambop, o samba jazz surgido aqui no Rio de Janeiro no contexto da Bossa Nova, o samba de piano, baixo e bateria. Aí está um dos poucos momentos em que a tradição norte-americana e a tradição brasileira se encontram. Mas se encontram por via do jazz primeiro, mas o jazz tocado com um acento de samba e por aí vai. Então, o samba é essa diversidade, inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas, que emanam da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou samba de quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo Bahiano, das quais indústria cultural se apropriou. Então, o que eu procuro fazer sempre, é mostrar essa diversidade, essa pluralidade e mostrar que o samba está vivo aí, não está velho e não está no formol.

Salto – Por que o senhor acredita que o conceito de pluralidade cultural ganha tanta importância no mundo hoje?

Nei Lopes – Eu acho que há uma dualidade de pensamento aí, eu acho que os intelectuais, os intelectuais “do bem” (risos), procuram enfatizar a questão da pluralidade e procuram valorizar essa questão. Ao passo que outras expressões intelectuais que não são tão “do bem” assim, que estão visando muito mais o capital, são expressão de um capitalismo bastante perverso, bastante massacrante, já não valorizam a pluralidade do jeito que a intelectualidade do bem valoriza. Porque não interessa... o mundo hoje é comandado por corporações, cada vez menos corporações. Digamos que hoje você tem conglomerados, uns 4 ou 5 conglomerados comandando a cultura no mundo inteiro. Então, evidente, que quanto mais se concentra o poder nas mãos desses conglomerados, menos a pluralidade interessa. Você tem, para dominar o mercado, você tem que ter um mercado homogêneo. Então, essa homogeneidade é contra todo tipo de pluralidade. Eu acho que quem valoriza a pluralidade somos nós, eu, você (apontando para a equipe do Salto), os espectadores aí que estão assistindo ao nosso programa, mas o grande, o Big Brother que manda nessa história toda, eu acho que ele não gosta de pluralidade não.

Salto – O senhor acredita que a música popular brasileira retrata a pluralidade cultural do país?

Nei Lopes – Olha, existem duas músicas populares brasileiras, dois escaninhos de música popular brasileira. Existe a música popular brasileira que é espontânea, de criação popular mesmo e essa você vai encontrar onde? Nas produções independentes, nos centros mais afastados. E existe outra música imposta por essa indústria de que nós estamos falando, cujos porta-vozes são os meios de comunicação atrelados a essa indústria. A gente teve, dias atrás, a entrega de um prêmio, que é supostamente o prêmio mais importante da música popular brasileira, em que não houve nenhuma premiação para o gênero samba, houve para o hip hop, para o universo pop, mas no entanto, numa estratégia, aquela coisa do álibi, numa espécie de álibi, o que os organizadores do prêmio fizeram? Pegaram o Jamelão, o nosso grande José Bispo Clementino dos Santos, nosso grande mangueirense, botaram lá e fizeram um grande final da premiação com Jamelão, mais a Escola de Samba da mangueira. É sempre assim! Efetivamente o samba não tem nada a ver, não participa do mercado, isso na visão deles, mas aí como álibi, para não dizer que são anti-samba, ou antinacionais, o que que fazem? Pegam alguém que representa alguma coisa do samba e bota num “gran finale”, num oba-oba e etc e tal. Quer dizer, então o que a gente vê é isso. Apesar disso tudo, existe hoje uma produção musical independente muito forte, no Brasil inteiro. Existe uma rede natural e espontânea de troca de informações, a internet inclusive veio facilitar muito isso. Os artistas do samba estão trabalhando e muito bem, eu inclusive, em todo país, sempre sendo prestigiado, sempre sendo chamados, independente de qualquer coisa, Evidentemente que ninguém do samba, pelo menos o que eu conheça, à exceção de uns dois ou três, que merecidamente está lá no pódio, à exceção de um ou dois que a indústria cultural admitiu. Nenhum sambista está andando de BMW, tendo jatinhos, etc e tal... Mas, pelo menos, os que estão trabalhando estão conseguindo, como trabalhadores, ter uma remuneração condizente dentro dos padrões nacionais. Isso é importante, nós somos trabalhadores da música, não somos? Ninguém nasceu para ser “superstar”, ser “popstar”. Então, a gente tendo a remuneração condigna, tendo a possibilidade de cuidar direitinho da saúde, tendo a possibilidade de aos 62 anos ter essa aparência bonita, modéstia à parte, então tudo bem, está tudo certo, está tudo legal.

http://www.redebrasil.tv.br/salto/

Política de cotas

A políticia de cotas como uma ação afirmativa

Nome: Maria Cláudia Cardoso Ferreira

Formação: Pesquisadora do PROAFRO, professora de História da rede municipal de ensino, militante do Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PVNC) e aluna do curso de mestrado em História da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


IBGE há pouco fez uma pesquisa e perguntou — “Existe racismo no Brasil?” A maioria das pessoas disse que sim, que existe racismo no Brasil Aí, para a pergunta: “Você é racista?”, elas respondem: ¾ “Não.” Então, quem é racista? Essa é a grande hipocrisia do país. Sabe por quê? As pessoas entendem que existe racismo no Brasil? Eu acho que a pergunta tinha que ser essa — “Isso te incomoda? O que você tem feito pra mudar isso?


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Entrevista com Maria Cláudia Cardoso Ferreira

Salto – Qual a importância das cotas para negros e para estudantes vindos do ensino público na nossa sociedade, atualmente?

Maria Claudia – A questão das cotas, ela insere uma discussão no Brasil hoje que tem a ver com a questão da distribuição da renda. Isso é uma coisa, porque educação é ascensão social, é um dos caminhos para a ascensão social. Ela insere uma outra discussão, que tem a ver com o convívio de pessoas de diferentes realidades, com diferentes histórias. Esse convívio, entendia-se antigamente, numa outra perspectiva teórica e de nação, entendia-se que esse convívio tinha que ser homogêneo, pasteurizado, e hoje não. As perspectivas, a partir dos anos 60, dentro da teoria e do projeto de nação, para o mundo e para o país, principalmente, são de que a gente tem que trabalhar com essa pluralidade, com a diversidade. Essa divergência não é só étnica, ela também é econômica. Porque os grupos, as classes populares, eles têm contribuições que são trocadas nesse espaço que é a universidade. Universal no sentido de que é de todos e não só de um modelo de pensamento e de educação.

Salto – Por que uma parcela tão grande da sociedade reage tanto a essa política de cotas?

Maria Claudia – Voltando para a questão do poder, se a gente entende educação como um espaço de ascensão social, você tem uma estrutura que está montada, que está arrumadinha... E quando você faz uma política pública, no caso uma política de ação afirmativa, ainda que não seja uma política de alcance, de contingência nacional, encontra reações. Existe um grupo que tem condições para estar chegando a esse lugar, que tem determinado Ensino Médio, que tem que fazer uma prova, um vestibular, que tem que ser aprovado nesse vestibular para poder entrar nessa universidade. Mas é uma parcela, que antes não chegava a isso porque, no país, nunca se pensou em educação para todos, numa educação em massa, numa educação superior. Sempre se pensou numa educação para um grupo. Então, o que vai acontecer? Esse grupo, que está na base, ele vai empurrar quem sempre esteve nesse lugar e aí vai começar a confusão, porque as pessoas não querem abrir mão dos seus lugares. Então, eu costumo dizer que eu não sei se um filho de médico queria ser médico, mas muitos filhos de médicos acabam se tornando médicos. Por que isso aconteceu? Porque as pessoas querem manter o poder, querem manter os seus lugares, assim como os filhos dos advogados tornam-se advogados. E tem uma coisa bem interessante, que eu fico vendo as pessoas dizerem. Depois que houve essa discussão de cotas, é que começou a se dizer que tem que melhorar o ensino técnico. Por que todo mundo tem que fazer faculdade? Eu também acho isso, eu acredito que se a classe média, a classe média alta, todas as pessoas que estão ali, os jovens de hoje, eles querem fazer faculdade, mas eles são empurrados a fazer faculdade, porque isso é status no País hoje. Então, é por isso que eu acredito que as pessoas têm batido tão de frente com essa situação, porque elas não querem perder esse privilégio. E a educação no Brasil ainda é encarada como um privilégio para alguns, doutor não é para todo mundo. Por isso é que as pessoas questionam tanto.

Uma outra coisa em eu que acredito, em relação à questão de cotas para negros, tem toda uma discussão que é desse racismo velado, de uma falsa idéia de que está tudo bem e que isso não incomoda os negros. Porque, se eles correm atrás, eles vão chegar naquele lugar... Isso é mentira. A gente viu, há pouco tempo, aquele dentista, lá em São Paulo que foi assassinado num carro, tinha uma semana que tinha se formado dentista, filho de um coronel da PM, uma pessoa de classe média, que por não ter mostrado primeiro o documento, ele foi assassinado. Então é assim, a cor é um marcador de inferioridade, o corpo negro, ele informa o lugar social. Isso a gente não pode esquecer. As pessoas dizem que não, mas isso com certeza. Se eu chego num espaço e não digo o que eu sou, as pessoas vão ter uma idéia de mim. Depois que elas sabem quem eu sou, dependendo da importância que isso tem para elas ou não, me dão um pouquinho mais de valor. Acho que é hipocrisia achar que isso não acontece no Brasil.

Salto – Você compartilha a idéia de que existe um racismo velado?
Maria Claudia – Isso é um lugar comum no Brasil, dizer que o racismo é velado. E aí faz o quê? Continua com o racismo velado? Porque o IBGE há pouco fez uma pesquisa e perguntou — “Existe racismo no Brasil?” A maioria das pessoas disse que sim, que existe racismo no Brasil Aí, para a pergunta: “Você é racista?”, elas respondem: ¾ “Não.” Então, quem é racista? Essa é a grande hipocrisia do país. Sabe por quê? As pessoas entendem que existe racismo no Brasil? Eu acho que a pergunta tinha que ser essa — “Isso te incomoda? O que você tem feito pra mudar isso? Isso prejudica o crescimento do país?” Porque uma população enorme que não tem educação, não tem acesso a emprego pleno, isso prejudica o crescimento do país. Tem uma população que está na indigência. E essa população, em sua maioria, é negra ou muitos não se consideram negros, mas são negros. Essa perspectiva de que são descendentes dos africanos. Se você for pegar lá, numa perspectiva cultural e biológica, são os descendentes dos africanos. Nesse sentido, eu acho que tem que fazer política pública para essa população, senão o país não vai crescer. Essa história de crescimento econômico não vai funcionar.

Salto - Quem não seria negro no Brasil? E quem é branco no Brasil?

Maria Claudia – Eu tenho uma tataravó italiana. Agora, se eu for procurar emprego no shopping, alguém vai me dar emprego porque eu tenho tataravó italiana? Eu tenho bisavós da outra parte da minha família indígena – a minha avó, mãe de meu pai, é uma mulher negra de pele muito clara e cabelo cacheado. Tem uma presença indígena negra muito forte na minha família branca. A minha bisavó é filha de uma mulher italiana com um homem negro, fugido, e ela fugiu de casa e se casou com ele. Então, o que acontece? Só que, quando eu for procurar um emprego hoje, quando eu chegar em um espaço, e fizer um concurso público e tiver um chefe discriminador racista, ele não vai me dar ascensão social. Ele não vai me promover, vai promover o outro. Por quê? Eu tenho na minha árvore genealógica presença indígena, africana e européia. O que marca o meu corpo hoje? A idéia de raça, ela não está fundada na biologia. A idéia de raça está fundada no que diz o Antônio Sérgio Guimarães, que é um sociólogo de São Paulo, da USP, e outros teóricos estrangeiros que trabalham com a idéia de raça social. As pessoas escolheram características biológicas que não devem definir a vida das pessoas, mas as pessoas escolhem essas características biológicas para definir o lugar para essas pessoas. Então, o fato de ter pele escura, de ter cabelo crespo, de ter fenótipos, marcadores no meu corpo de uma história, de uma biologia que está na África, faz com que eu tenha espaços em que eu possa ir e espaços em que eu não possa ir. Eu costumo dizer isso, se eu for procurar emprego no shopping hoje e disser que eu tenho uma ancestralidade européia, alguém vai acreditar nisso? Isso vai fazer com que um cliente me veja como uma pessoa idônea? É isso que a gente tem que pensar. Isso funciona ao contrário, quem tem um corpo com mais presença européia, o fenótipo vai possibilitar o acesso, as portas vão se abrir mais rápido para essas pessoas, porque se entende que quem tem o fenótipo europeu é mais decente, é mais inteligente é mais preparado e mais bonito, é assim que se construiu a idéia de racismo nesse país. Isso é verdade? Isso é o que a gente tem que questionar. Eu não acredito na biologia, mas a sociedade brasileira hoje ainda acredita em biologia e faz essas diferenças e essas divisões sociais. É estar mais longe do africano possível, mais longe do negro possível! Então, ter boa aparência é estar mais longe desse fenótipo do negro. Isso é que é ter boa aparência. É claro que a gente tem que levantar uma ou outra questão, a gente tem que conjugar isso com o capitalismo que tem maneiras de excluir. E ele escolheu algumas combinações. Na verdade, tem uma combinação que é pobre, negro e nordestino. Essas coisas se combinam para poder estabelecer a massa que vai ser excluída. Então, se você combina essas coisas, você fica cada vez mais longe. Se você é negro, se é mulher, se é empobrecido e oriundo da periferia ou do Nordeste, você agrega fatores de exclusão, cada vez mais. Você vai ter mais dificuldade de acessar os bens de cidadania, do direito de cidadania.

Salto – Qual o papel da escola nessa luta anti-racista e antipreconceitos?

Maria Claudia – Eu acho que a primeira coisa que a gente tem que fazer enquanto educador é desconstruir essa idéia de hierarquia, de que existem melhores e piores. É claro que é muito difícil fazer isso, muito difícil problematizar isso com crianças. A gente tem que trabalhar isso. Eu me lembro de que, ano retrasado, na escola, eu perguntava para eles, para os meus alunos: Quais os grupos que formaram a sociedade brasileira? Eu estava começando a trabalhar com ocupação do Brasil, a questão do “descobrimento” e eles falavam dos portugueses – dos brancos. Alguns falaram dos indígenas, mas nenhum aluno falou dos negros, alunos negros! Então, não sei de onde eles surgiram, porque eles não conseguiam se ver originados dessa população. Aí, eu comecei a problematizar com as crianças. Perguntei para elas, por que, numa escola com vários alunos negros, vocês não falaram do negro enquanto povo, africano, enquanto povo que veio para cá e que colonizou o país também? Aí eles falaram — “Porque eles foram escravos, professora”.

Porque o livro didático, ele se esforçou durante esse tempo todo, em colocar o negro como escravo. Esse lugar do escravo é o lugar do inferior, que aceitou ser escravizado e que foi trazido como mão-de-obra. Isso é uma mentira. Os estudos de relações sociais e de escravidão, eles comprovam: a primeira coisa é que você traz uma população que já está preparada para esse tipo de trabalho, que é um trabalho hiperdiversificado. A colônia não foi “plantation” a vida toda. A colônia foi transformando e crescendo e diversificou as atividades. Você tem histórias de cativos, de escravos, de negros escravizados que já podiam comprar sua alforria e que o senhor não dá alforria. Mas ele também tem uma vida até melhor em relação aos bens, às condições de vida, até melhor do que a de outros libertos, porque ele tem uma profissão, ele é um dentista. Chamava de dentista, aquela pessoa que extraía dente. Ele tinha uma profissão específica e essa profissão lhe dava condições de ter uma vida melhor, mas ele era propriedade de alguém ainda. Então o período de escravidão no Brasil é amplo, diversificado, mas o livro didático, durante muito tempo disse o quê? Que você era escravo, propriedade de alguém, que apanhava, que era inferior, que aceitava a escravidão. Ou, no máximo, aquela história do negro que é um herói, que rompeu com tudo, como são alguns símbolos. O que acontece com a sala de aula? Eu acho que o professor, ele tem que colocar os dois lados, ele tem que colocar as contribuições de cada povo, essas imbricações, como que essas coisas se misturaram, colocar o que foi positivo nisso, o que foi negativo nisso. A gente não pode fingir que isso foi pacífico, a chegada do colonizador não foi pacífica. O indígena resistiu, mas também foi assimilado, e o português também se assimilou à cultura indígena. Porque isso faz parte da constituição dos encontros e dos momentos em que grupos culturais se encontram. Isso faz parte de qualquer ocupação. Na Península Ibérica já foi mesma coisa, você tem toda uma história de Portugal e Espanha que está fundada no Oriente. Por quê? Foram 700 anos de ocupação Árabe. Então, como não ter na cultura portuguesa e espanhola coisas da cultura oriental? A mesma coisa aconteceu no Brasil! Só que a gente quis a vida toda passar uma idéia de um Brasil branco, mais próximo da Europa, porque isso era progresso. Eu acho que é nesse sentido que acontece.

O professor ainda tem pouco subsídio, ele foi formado nessa escola, nessa universidade com a matriz branca, matriz européia, então ele não consegue ainda trabalhar com essas outras contribuições. Quando ele trabalha com a contribuição, ele trabalha muito na perspectiva culturalista. E de uma cultura reduzida, que é da manifestação cultural. A definição de cultura não é essa. Acho que manifestação cultural é uma parte da definição de cultura. Então, aí o negro entra como batuqueiro, com a comida, com a emoção. O índio com a questão do corpo, de pintar o corpo com as danças, com a cultura da roça. Eu acho isso muito pouco, muito reduzido. Mas tem a ver com formação, por isso é que eu acho que é interessante essa questão da lei que Lula assinou, de ensinar a história da África e a história do negro no Brasil! Isso é importante, no sentido de que a gente tem que rever a história do Brasil, Praieira, Cabanagem, Balaiada, tudo isso tem que ser recontado, e com a participação negra e indígena.

Salto – Você acredita que racismo, discriminação e preconceito também estão presentes dentro da escola? De que forma?
Maria Claudia – Todo dia. E, às vezes, de uma maneira muito simbólica. É claro que têm umas situações que são mais gritantes, outras que são situações mais simbólicas. Um exemplo: uma das escolas em que eu trabalho, no Dia Internacional da Mulher, fizeram um cartaz bonito sobre a questão da mulher. É uma escola de periferia, perto de algumas favelas daqui do Rio de Janeiro. A coordenadora pedagógica mostrou umas imagens muito bonitas, só que é assim, não tem uma mulher negra na imagem do cartaz que ela fez, não tem uma mulher com os fenótipos de uma nordestina, não tem uma mulher indígena... Então, que cartaz é esse? Essas coisas não são necessariamente uma forma de racismo, porque racismo seria essa ideologia da superioridade de uma raça e a valorização dessa raça em detrimento das outras. Não seria um racismo declarado. Mas a ideologia que está permeando a escolha do cartaz dela está fundada nisso. Não que a pessoa que fez o cartaz acredite nisso de pronto. Mas porque é o que está nas revistas que ela escolheu. Eu perguntei depois porque ela tinha feito aquilo, e ela disse: “eu não encontrei imagens de mulheres.” Na outra semana, passou um outro evento, ela fez outro cartaz, aí sim ela se preocupou com isso. Tem um estudo até de uma professora de São Paulo, da Elaine Cavalheiros, que é “Do silêncio do lar ao silêncio escolar.” Então o que acontece? A criança negra, ela é menos escolhida para apresentar trabalhinhos lá na frente, numa atividade escolar, do que uma criança branca. Na hora de andar de mão dada com a professora, a professora escolhe a criança branca. Mulheres que estão bem, que estudaram, mulheres que já têm uma reflexão dessa situação se voltam para o passado e identificam esse tipo de coisa. O fato de a professora, em conversas informais, tratar melhor um aluno com um fenótipo mais próximo do europeu e não tratar bem um aluno negro, um aluno que ela identifica como negro. Entendeu? O mais difícil é falar disso para o professor. Eu acho que é muito complicado você chegar, na sala de aula, e falar disso com um colega, você vê um colega ter uma atitude dessa e chegar para o colega e lhe falar que ele teve uma postura racista, que ele tem que mudar sua postura, porque isso influencia no rendimento dessa criança. Por que os índices de reprovação e de fracasso escolar são maiores nas crianças negras? Mesmo em crianças com a mesma classe social, você pega crianças negras de classe média que têm família estruturada, material didático bonitinho, tudo direitinho... Aí há estudos que comprovaram isso, que ainda assim, elas têm um rendimento abaixo da média das crianças brancas. O que que é isso? A única explicação é o cotidiano escolar, porque isso influencia. Uma outra coisa que eu acho que influencia também – claro que se for um professor consciente, reflexivo – seria a presença de mais professores negros na escola, o que hoje está aumentando. Porque a criança tem um exemplo. Isso é muito interessante. Também é claro que você tem que ser exemplo para os brancos, eu acho isso importante. Você vê os alunos negros se identificarem com você, verem você como uma pessoa bonita, que dá certo, isso é uma coisa importante. Por que o negro, ele se vê aonde? Na capa do Jornal O povo. Como é que ele se vê na capa do Jornal O povo? Como saem as reportagens sobre os negros no Brasil? Muitas vezes, na reportagem, o negro é mostrado como o excluído, nas rebeliões dos presídios, assaltos, etc. Ou como jogador de futebol, cantor de pagode. Por isso é que as ações afirmativas, eu acho que também vão mudar essa perspectiva, porque a criança vai ver um médico negro atendendo no posto de saúde, vai ver aumentar esse número, vai ver uma assistente social negra atendendo, uma fonoaudióloga, uma enfermeira, um diplomata.

Salto – Qual a importância da mídia nestes casos?

Maria Claudia - A mídia, eu acho que seria a principal frente, fora a educação, eu acho que uma das frentes mais importantes é a mídia. A gente vive numa sociedade que vive de imagem, a imagem é tudo no mundo moderno, nesse mundo pós-moderno até, e a mídia no Brasil ela tem funcionado como um grande entrave nessa mudança de perspectiva, para uma visão positiva, nesse imaginário da população negra no Brasil. Ainda hoje, nesse sentido, eu acho que isso prejudica tanto o negro quanto o branco. E a questão indígena também, você pega as reportagens sobre os indígenas, o que que você vê? São povos que ainda estão lá na floresta, vivendo de uma maneira muito rudimentar. É sempre colocado assim, você pega um Globo Repórter, mostra o índio vivendo da caça, da coleta e da pesca, coisas assim. E não é só isso. Está muito para além disso. Ou então, quando se coloca a população indígena ou os povos indígenas, os vemos encontrando a cultura da cidade, a cultura do branco e eles se promiscuindo, se corrompendo como nas últimas reportagens que passaram sobre a questão dos garimpeiros. Então, eu acho que essa mídia, ela seria uma das grandes frentes, mas eu acho que a mídia não está muito preocupada com isso. Eu acho que, em relação à população negra, que é uma coisa que eu me preocupo mais, a gente teria que produzir mídia. Eu acho que a TV Estatal, ela teria que investir mais nisso, em programas independentes, para que essa população pudesse se colocar. Nesse sentido, falar sobre cotas nos meios de comunicação é fundamental. Tem que ter a propaganda, tem que cobrar a presença do corpo negro ali, tem que ter a presença do indígena, a questão do oriental mesmo, você tem a população japonesa e chinesa no Brasil, são brasileiros também. Não são vistos. Eu tenho uma miopia de 6º grau e eu sempre troco de óculos. Quando eu vou comprar meus óculos, eu vejo sempre as propagandas das lojas de óculos. E como se os negros não comprassem óculos, os orientais não comprassem óculos, é um absurdo. Como você quer ver a estética daqueles óculos com uma cor mais diferente no seu corpo, como que fica a cor em você, você não pode fazer isso. Porque você não tem essa imagem. E isso é muito importante. E a gente pensa que não, mas tem um simbólico muito interessante. Tinha uma propaganda do Banco do Brasil há uns 2 anos, que era uma família de negros, acessando a internet. Então, era um casal de negros, mais duas crianças acessando a internet. Saiu nos jornais, os meus amigos comentavam: “Que propaganda linda, as pessoas estão bem naquela propaganda, estão bonitas...”. A gente pensa que não, mas são coisas simples, que as pessoas podem passar a se ver de uma maneira mais positiva. Só que eu acho que essa mídia que está aí não está interessada em fazer isso.

Salto - Por que você acredita que o conceito de Pluralidade Cultural ganha tanta importância em todo mundo hoje em dia?

Maria Claudia – Eu acho que é a questão do paradigma, mudou o paradigma. O paradigma do Ocidente como modelo que deu certo, do progresso. Esse era um paradigma. Eu acho que, a partir da 2ª Guerra Mundial, com toda a questão do nazismo, eu acho que foi uma coisa que marcou o mundo todo Não foi só o nazismo, foi o que ficou mais gritante. Mas tinha também a questão do Aphartheid na África do Sul, a questão do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos e as independências dos países africanos, que eram colônias dos países da Europa. Essas coisas todas aconteceram, basicamente, a partir da 2ª guerra Mundial. E a 2ª guerra Mundial foi uma grande lição para o mundo e para o Ocidente, principalmente. Primeira coisa, existia uma mentira que era essa hegemonização do mundo em cima de um padrão, que era a Europa. Por quê? Esse progresso, ele traz benefício, mas ele também traz vários malefícios. Um dos mais maléficos foram as bombas em Hiroshima e Nagasaki, a discriminação em massa dos judeus, que foi o mais gritante, mas o de outras populações também. Então, a partir desse momento, eu vejo e os estudos comprovam, é que a perspectiva do multiculturalismo e da pluralidade cultural, ela começa a tomar força. Porque se você repara, o que aconteceu era uma imposição da unidade pela força, era o Estado-nação com o aparato do exército, da força, ele fazia que os outros grupos se silenciassem. No máximo, o que acontecia é que você poderia se manifestar no campo dessas manifestações culturais que, no caso do Brasil, era o samba. O samba dos anos 20, dos anos 30, ele é considerado como algo marginal, de exclusão. Quando se quer trazer essa população, cooptar com esse Estado nacional, o que se faz? Tira isso do popular e traz como símbolo do Estado. E aí essa população se sente contemplada e, mais do isso, isso é absorvido pelo Estado-nação. As elites começam a praticar isso, que foi o que aconteceu. E o samba, se bobear, não é nem mais da cultura negra, é uma cultura nacional, é uma coisa que foi feita. Isso aconteceu até, eu acho, os anos 60, mais especificamente, o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. O movimento de mulheres, o movimento de mulheres tem uma grande questão para colocar: que mulher é diferente de homem. Isso não quer dizer que ela tenha que ser “desigual” ao homem, mas diferente ela é. Então, esses movimentos todos trouxeram esses temas para a discussão, para a academia, para a universidade. Esses outros lugares, que são lugares do diferente, mas não do desigual. Então hoje, eu entendo assim, que é impossível pensar o mundo sem essa questão do plural, porque se você pensa, você acaba criando um silenciamento que é pela força. Mas que, por baixo, está efervescendo todo um conjunto de questões que é próprio das culturas, que constroem conforme as suas realidades e suas maneiras de ver o mundo. Então, hoje, o Estado tem assumido isso como uma coisa que é dele, tem que contemplar a diversidade. Nesse sentido é que eu acho que as políticas para o pluralismo cultural devem, sim, ser realizadas.
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